
A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou um acordo com os Estados Unidos que autoriza a presença de militares e civis americanos no país. A aprovação ocorreu nesta terça (10), com 53 votos favoráveis, 8 contrários e 4 abstenções, depois de o Senado já ter dado seu aval.
O tratado, conhecido como SOFA (Status of Forces Agreement), visa fortalecer a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado e ao narcotráfico na região e foi assinado em dezembro pelos governos de Santiago Peña, do Paraguai, e Donald Trump, dos EUA.
O acordo permite que militares, civis do Departamento de Defesa dos EUA, assim como contratantes americanos, possam realizar visitas temporárias, treinamentos, exercícios e outras atividades no Paraguai. O governo local diz que a parceria é uma oportunidade para reforçar a segurança interna e a luta contra o narcotráfico.
O tratado concede aos representantes dos EUA no Paraguai os mesmos privilégios, isenções e imunidades de diplomatas, o que inclui o uso de uniformes e armas, além da aceitação das carteiras de motorista norte-americanas no país. Os enviados também estarão sujeitos à jurisdição penal dos Estados Unidos e não terão que pagar impostos sobre os rendimentos obtidos enquanto estiverem no Paraguai.

O acordo ainda permite que os militares e civis dos EUA circulem livremente por território paraguaio com aeronaves, veículos e embarcações, desde que as autoridades locais sejam informadas. Também fica acordado que esses meios de transporte não podem ser abordados ou inspecionados pelas autoridades paraguaias sem a autorização dos EUA.
O governo de Peña tem reforçado seu alinhamento com a administração de Trump. O ministro do Interior, Enrique Riera, declarou à CNN que contará com um centro antiterrorismo com agentes treinados pelo FBI para coletar informações sobre o Hezbollah na região da Tríplice Fronteira com o Brasil e Argentina.
O governo paraguaio também segue a linha de pressão dos EUA, declarando o “Cartel de los Soles” da Venezuela como uma organização terrorista.
Esse acordo é parte de uma série de ações que aproximam o Paraguai dos Estados Unidos, como a mudança da embaixada paraguaia para Jerusalém e o reconhecimento do Hamas e do IRGC como organizações terroristas. O país também aceitou o status de “Terceiro País Seguro”, permitindo que solicitantes de asilo nos EUA aguardem o trâmite no território paraguaio.