Conheça a pizzaria interditada que faturava R$ 10 mil por dia com comida estragada

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 23:59
Fernandes Pizzas e Sanduíches, de Aparecida de Goiânia (GO). Imagem: reprodução

A pizzaria interditada sob suspeita de vender comida estragada é a Fernandes Pizzas e Sanduíches, localizada em Aparecida de Goiânia (GO). O estabelecimento foi fechado após fiscalização da Polícia Civil de Goiás (PCGO), que identificou a produção de alimentos impróprios para consumo.

Segundo o delegado Humberto Teófilo, responsável pela ação, o local apresentava condições precárias de higiene e forte cheiro de azedo. A pizzaria funcionava exclusivamente por delivery, no Jardim Luz, e foi alvo de uma denúncia anônima.

De acordo com a polícia, o estabelecimento produzia cerca de 250 pizzas por dia e chegava a faturar aproximadamente R$ 10 mil diariamente. Durante a fiscalização, foram encontrados alimentos estragados e mal armazenados, como salsichas, calabresa, bacon e ovos, dispostos em bacias sem identificação ou data de validade.

Massas de pizza estavam sendo armazenadas sem proteção. Imagem: reprodução

Os agentes também localizaram massas expostas, gordura velha armazenada em potes e sujeira em diversos pontos do local. O responsável pelo negócio foi levado à delegacia, onde foi lavrado um Termo Circunstanciado, com base no artigo 268 do Código Penal, que trata de infrações sanitárias.

“A gente lamenta porque muitas pessoas pedem delivery e não sabem a situação do local. Aqui tivemos infração de medida sanitária, basta visualizar. Foi constatada a infração in loco. Não queremos prejudicar o pequeno empresário, mas tem que haver higiene”, afirmou o delegado. O Metrópoles tentou contato com a pizzaria, mas não obteve retorno.

A Polícia Civil informou que a fiscalização constatou as irregularidades no momento da vistoria, sem necessidade de análises posteriores, diante do estado visível de deterioração dos alimentos e das condições gerais do ambiente. Segundo os agentes, o forte odor e o armazenamento inadequado dos produtos indicavam que os itens não estavam próprios para consumo humano.

De acordo com a corporação, a ausência de identificação, rotulagem e datas de validade nos alimentos encontrados agrava o risco à saúde pública, especialmente pelo fato de a pizzaria operar exclusivamente no sistema de entrega. Nesse modelo, os consumidores não têm acesso às condições internas do estabelecimento nem ao processo de preparo dos alimentos.

A polícia destacou ainda que o volume de produção diária amplia o alcance do problema. Com a fabricação de cerca de 250 pizzas por dia, o estabelecimento poderia atingir centenas de consumidores diariamente, mesmo operando em condições consideradas inadequadas pelas autoridades sanitárias.

O Termo Circunstanciado lavrado contra o responsável pelo negócio se baseia no artigo 268 do Código Penal, que trata do descumprimento de medidas sanitárias destinadas a prevenir riscos à saúde coletiva. O procedimento será encaminhado à Justiça, que poderá definir eventuais sanções.

Segundo o delegado Humberto Teófilo, ações desse tipo têm como objetivo principal proteger a população e coibir práticas que coloquem consumidores em risco. Ele ressaltou que a atuação da polícia ocorre a partir de denúncias e que os estabelecimentos precisam seguir normas básicas de higiene para funcionar.

A Polícia Civil de Goiás reforçou que denúncias anônimas são fundamentais para identificar irregularidades desse tipo, especialmente em estabelecimentos que funcionam exclusivamente por delivery. A corporação orienta que casos semelhantes podem ser comunicados aos canais oficiais de denúncia.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.