
Apesar da Venezuela ser o país com a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, a nação figura timidamente no ranking global de grandes fortunas. Em 2025, o único bilionário do país na lista da Forbes é Juan Carlos Escotet, fundador do banco transnacional Banesco, que tem sede em Caracas.
A fortuna de Escotet, estimada em US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões), o coloca na 430ª posição no ranking global de bilionários, com um aumento considerável de sua riqueza em relação ao ano anterior, quando o valor estimado era de cerca de R$ 20 bilhões.
Escotet, que fez fortuna sem depender do petróleo, viu sua riqueza crescer apesar da grave crise econômica da Venezuela, marcada por hiperinflação, sanções internacionais e empobrecimento acelerado da população.
Nascido em uma família de imigrantes espanhóis, começou a trabalhar muito cedo, sendo office-boy no Banco Unión aos 17 anos. Com o tempo, se formou em economia e, em 1986, fundou uma corretora financeira, que mais tarde se fundiu com o banco onde ele começou sua carreira.
Em 2012, Escotet iniciou a expansão internacional do Banesco, comprando o Banco Echevarría na Espanha, e mais tarde o Abanca. Em 2024, adquiriu ainda as operações do Crédit Mutuel em território espanhol, consolidando seu grupo bancário com uma presença global. Apesar de sua atuação crescente fora da Venezuela, o empresário enfrentou conflitos com o regime chavista, especialmente após a intervenção do governo em seu banco.

Em 2018, onze executivos do Banesco foram presos por manipulação cambial e desvalorização do bolívar, mas todos foram libertados após negociações envolvendo autoridades espanholas. O governo venezuelano interveio no banco, mas a situação foi resolvida em 2019. Hoje, Banesco continua sendo um dos maiores bancos da Venezuela, mas sua estratégia tem se voltado cada vez mais para o mercado internacional.
Recentemente, em dezembro de 2025, a subsidiária do Banesco nos Estados Unidos comprou uma carteira de investimentos da Small Business Administration (SBA), no valor de US$ 95 milhões, expandindo sua presença na Flórida e em Porto Rico. A expansão do banco fora da Venezuela tem sido uma estratégia importante, dado o cenário econômico difícil no país de origem.
Em sua vida pessoal, Escotet enfrentou uma tragédia em 2022 com a morte de seu filho, Juan Carlos Escotet Alviarez, de 31 anos. O jovem morreu em um acidente de pesca em Key Largo, na Flórida, quando tentou resgatar sua noiva e foi atingido pela hélice da embarcação. A morte de seu filho foi um golpe devastador para o empresário, que, apesar de sua dor, segue com sua trajetória empresarial.
Escotet é uma figura reservada e, há anos, vive em Corunha, na Espanha, onde continua expandindo seus negócios.