Conheça na íntegra o roteiro de “Dark Horse”: de Adélio militante à conspiração no STF

Atualizado em 15 de maio de 2026 às 19:52
Final de 'Dark Horse' "impressiona" pelo seu apego aos detalhes entre a realidade e a ficção
Poster do filme “Dark Horse”, baseado em Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram @therealjimcaviezel

O roteiro de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro financiado por Daniel Vorcaro, termina com uma sequência que sugere uma conspiração contra o ex-presidente envolvendo o Supremo Tribunal Federal.

O roteiro de “Dark Horse” acumula cenas bizarras, como Adélio Bispo rebatizado e associado à esquerda, “pílulas mágicas” que teriam ajudado Jair Bolsonaro após a facada e até uma enfermeira descrita como possível “adoradora de Lula” durante a cirurgia.

Na página 107, a última cena inicia-se quando o vilão fictício Paulo Pontes recebe um grupo de homens importantes em sua casa enquanto a posse de Jair Bolsonaro passa na televisão. O texto descreve a reunião como secreta e inclui entre os presentes um homem magro e careca apresentado como alguém que “poderia ser” ministro do Supremo.

A cena termina, de acordo com a descrição, termina com o personagem Pontes desligando a TV. A imagem da posse some e a tela fica preta. Esse fechamento sustentaria a acusação de que o STF faria parte, desde 2018, de uma articulação contra Jair Bolsonaro.

O epílogo, também na página 107, afirma que uma investigação concluiu que o autor da facada agiu sozinho, mas diz que o inquérito teria sido incompleto e deixado “muitas questões” de fora. O texto então avança para 2022 e registra que Jair Bolsonaro perdeu a reeleição por um ponto e meio, em meio a acusações de manipulação eleitoral e fraude.

Na mesma sequência final, o roteiro afirma que manifestações ocorreram pelo Brasil, “em sua maioria pacíficas”, mas que muitos foram presos. Em seguida, diz que Jair Bolsonaro foi acusado de tentativa de golpe em 2025, condenado e sentenciado a 43 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. O final faz uma alusão a prisão de Jair Bolsonaro e seu envolvimento na trama golpista.

O fechamento amarra a narrativa conspiratória construída ao longo do roteiro: o atentado em Juiz de Fora aparece como uma trama encomendada por Paulo Pontes, o “Cicatriz”, um barão das drogas que teria passado a odiar Bolsonaro após uma prisão em 1985. Na versão do filme, o personagem Tato contrata Aurélio Barba para dar a facada no então candidato.

“Dark Horse” foi gravado no fim do ano passado, principalmente em São Paulo, e tem roteiro em inglês. Segundo a família Bolsonaro, o financiamento foi obtido por meio de um fundo de investimentos no Texas, nos Estados Unidos. O filme virou centro da crise após a revelação de que Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro repasses milionários para a produção.

Confira o roteiro na íntegra:

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!