“Conheci essa vereadora no dia em que ela foi executada”, disse Bolsonaro. Ele não estava em Brasília? Por Mauro Donato

Reprodução redes sociais

 

Aos 11 minutos da já histórica live na qual exibiu todo seu destempero e incômoda semelhança física e de trejeitos com Adolf Hitler, Jair Bolsonaro disse o seguinte:

“Conheci essa vereadora no dia em que ela foi executada, em 14 de março.”

Se já havia muita fumaça denunciando fogo, Bolsonaro soltou mais uma baforada.

Seu principal álibi é dizer que estava em Brasília naquele dia. Afirmou que “geralmente” parlamentar costuma estar no distrito federal Às quartas-feiras.

Alegou que suas digitais estão no painel de votação e na lista de presença na Câmara dos Deputados.

Já a vereadora Marielle Franco, é de conhecimento público e notório, estava no Rio de Janeiro durante todo aquele dia. Seu último compromisso foi a participação do evento Jovens Negras Movendo as Estruturas, no bairro da Lapa.

Depois disso, foi assassinada junto de seu motorista, Anderson Gomes.

Marielle (que Bolsonaro insiste em chamar de ‘Mariela’) morreu no Rio de Janeiro, ninguém pode duvidar de onde ela estava.

E Bolsonaro? Por que mostrou-se tão preocupado com “a suspeita que fica na ponta da linha” em decorrência da matéria do Jornal Nacional?

Com a reação, ele próprio admite que a digital ser forjada é uma prática nem tão rara assim. Diversos casos de marcação de ponto e até de voto já foram flagrados.

Visivelmente alterado, Bolsonaro escorregou várias vezes. Ele afirma que o porteiro deve ter sido induzido a erro no depoimento ao delegado ou mesmo que teria assinado sem ler o inquérito.

Acontece que o número 58 – da casa de Bolsonaro – está no registro da portaria, e não em algum boletim de ocorrência.

Não é um simples erro de grafia como escrever 53 ou 56 e acabar deixando dúvida em quem leu. A casa de Ronnie Lessa, para onde Élcio Queiroz se dirigiu, é a de número 66. Bem diferente.

Segundo o porteiro, a casa 58 autorizou a entrada e depois ainda foi consultada sobre o novo destino do suspeito.

Na ocasião, Bolsonaro era um simples e quase desconhecido deputado. Por que o porteiro iria cometer um engano desses? Com qual finalidade?

O relacionamento do clã Bolsonaro com as milícias não necessita de mais provas após todos os fatos tornados públicos nesses 10 meses de desgoverno.

Marielle foi executada após ter passado seus últimos dias denunciando nas redes sociais o 41º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Acari que ela classificava como “batalhão da morte”.

No dia 13 ela havia relatado mais uma morte de um jovem cometida pela PM. Pouco mais de 24 depois foi assassinada exatamente em um trecho de rua no qual as câmeras não estavam funcionando e os principais suspeitos saíram do condomínio onde mora o “presidente da república”.

Acuado, Bolsonaro está caindo atirando na Globo e na revista Época. Afirma que “são a fonte de fake news”. Sim, sabemos disso faz tempo, qual a novidade? Contra seus adversários não achava isso ruim, certo?

A lei obriga que o STF analise a situação devido a citação do nome de Jair Messias no caso. O argumento de que estava em outra cidade – mesmo com provas – é bom que Bolsonaro saiba, nem sempre cola na Justiça brazuca.

A modelo Bárbara Querino ficou presa durante mais de dois anos, acusada por assalto, sendo que havia provas contundentes e inequívocas de que estava no Guarujá naquele dia e hora. Mas Bárbara é negra e pobre, não vive em condomínio de luxo da Barra da Tijuca.

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