“Conselho da Paz”: Lula quer mais tempo para decidir sobre proposta de Trump para Gaza

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 19:56
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião bilateral na Cúpula da Asean em Kuala Lumpur, na Malásia — Foto: Ricardo Stuckert/Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu mais tempo para decidir se o Brasil aceitará o convite feito pelos Estados Unidos para integrar o chamado Conselho da Paz em Gaza. Segundo auxiliares ouvidos reservadamente, o governo avalia que a proposta envolve riscos diplomáticos e geopolíticos e não pode ser respondida de forma precipitada. Com informações do Globo.

De acordo com um interlocutor do Planalto, não é possível dar uma resposta “sem entender as consequências” e “decisão não pode ser tomada de forma açodada”, especialmente diante do histórico brasileiro de atuação no Oriente Médio. A avaliação interna é de que qualquer decisão precisa considerar impactos na política externa, nas relações com países árabes e no posicionamento tradicional do Brasil em defesa do multilateralismo e do diálogo com todas as partes envolvidas no conflito.

O convite foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e chegou à embaixada brasileira em Washington na sexta-feira. Lula deve iniciar as discussões com seus auxiliares a partir da próxima semana. Procurado, o Itamaraty não se manifestou oficialmente até o momento.

Bombardeio israelense em Gaza

A proposta do Conselho da Paz prevê que o grupo supervise a reconstrução, a governança e a transição política da Faixa de Gaza após o cessar-fogo mediado pelos EUA, em meio a mais de dois anos de confrontos entre Israel e o Hamas. Além do Brasil, Trump convidou outros líderes, como Javier Milei, Recep Tayyip Erdogan, Abdel Fattah al-Sisi e Mark Carney.

A iniciativa americana tem sido alvo de críticas internacionais, sobretudo pela ausência de representantes palestinos no núcleo decisório e pelo protagonismo explícito dos Estados Unidos. Auxiliares de Lula afirmam que a participação brasileira só será considerada após uma análise detalhada da legitimidade do conselho e de seus efeitos para a diplomacia do país.