“Conselho de Gaza” de Trump tem cargo vitalício por US$ 1 bilhão; Lula ainda não respondeu

Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 14:45
Destroços de Gaza. Foto: Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado a criação do Conselho de Paz da Faixa de Gaza, órgão que terá mandatos de três anos para seus integrantes. De acordo com um projeto de estatuto ao qual a agência Reuters teve acesso, países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro vivo poderão ocupar assentos vitalícios no colegiado.

O presidente Lula, foi convidado a integrar o conselho. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, o governo brasileiro começará a avaliar a proposta na próxima semana e considera que qualquer decisão exige análise detalhada dos impactos políticos e diplomáticos da iniciativa.

O documento preliminar do conselho está sendo enviado a cerca de 60 países. O texto estabelece que “cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, sujeito à renovação pelo presidente”.

A regra, porém, não se aplicaria a países que aportarem mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano de funcionamento do órgão. A previsão de contribuições financeiras elevadas gerou questionamentos internacionais. No sábado, a agência Bloomberg mencionou a existência de uma taxa mínima de US$ 1 bilhão para integrar o conselho.

A Casa Branca negou a exigência e afirmou que não há cobrança obrigatória para adesão. “Isso simplesmente oferece filiação permanente a países parceiros que demonstrem profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”, declarou a Casa Branca em publicação na rede social X.

Donald Trump e Lula. Foto: Divulgação

Auxiliares de Lula afirmam que ainda é necessário compreender com precisão o papel do colegiado, sua composição e seus efeitos práticos. Um dos pontos que têm gerado críticas é a ausência de representantes palestinos no núcleo decisório, além do protagonismo direto dos Estados Unidos na condução do órgão.

Além do presidente brasileiro, convites foram enviados a outros líderes internacionais. Entre eles estão Recep Tayyip Erdogan, Javier Milei e Nayib Bukele, segundo informações divulgadas pelo governo americano.

Milei confirmou o convite e afirmou que será “uma honra” participar da iniciativa presidida por Trump. O conselho também deverá contar com nomes como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

O Conselho de Paz integra a segunda fase do plano apoiado por Washington para a Faixa de Gaza, que prevê reconstrução do território e definição de um modelo de governança após a guerra entre Israel e o Hamas. Trump classificou o grupo como “o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”.

Para Lula, a decisão envolve riscos diplomáticos. Desde outubro de 2023, o presidente brasileiro tem criticado publicamente as operações militares de Israel em Gaza e defende cessar-fogo imediato e a criação de um Estado palestino.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.