
A Posco Engenharia e Construção do Brasil, criada para executar a obra da Companhia Siderúrgica do Pecém, entrou com pedido de autofalência na Justiça do Ceará após deixar um passivo que pode se aproximar de R$ 1 bilhão. A empresa é controlada pela sul-coreana Posco Engineering & Construction Co e foi responsável por uma das maiores obras privadas já realizadas no estado.
Segundo a coluna de Carlos Madeiro no UOL, a construtora atuou na implantação da Companhia Siderúrgica do Pecém, iniciada em 2011 e concluída em 2016. O contrato para erguer a usina foi de US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões), valor integralmente pago. Após o início da operação, porém, a empresa deixou de quitar obrigações trabalhistas, dívidas com fornecedores e débitos tributários no Brasil.
Em setembro de 2025, alegando crise econômica irreversível, a Posco pediu autofalência, listando cerca de 40 empresas no processo. A medida suspende cobranças judiciais, interrompe a incidência de juros e concentra todas as ações em um único juízo, o que gerou forte reação entre os credores.
No pedido, a empresa reconhece uma dívida de R$ 644 milhões, composta majoritariamente por débitos trabalhistas. Credores contestam os valores e afirmam que o passivo real é maior. Apenas em tributos federais, incluindo valores cobrados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a estimativa apresentada por representantes dos credores supera R$ 200 milhões.

Apesar do volume da dívida, a relação de bens declarada é mínima. A Posco informou possuir um terreno avaliado em R$ 1,1 milhão, um veículo sem condições de uso, R$ 109,80 em conta-corrente e cerca de R$ 4,8 mil em aplicações financeiras. Outros valores citados no processo estão depositados judicialmente e não podem ser usados para quitar dívidas fora desses processos.
Entre os principais credores está a Campelo Costa Sociedade de Advogados, à qual a empresa reconhece um débito de R$ 567 milhões. O valor foi confirmado em arbitragens e já resultou em decisão de primeira instância que desconsidera a personalidade jurídica da Posco no Brasil, permitindo a cobrança da dívida diretamente da matriz sul-coreana e da holding internacional do grupo.
A CSP, que foi o único grande negócio da Posco no país, pertence desde 2023 à ArcelorMittal, após aquisição de US$ 2,2 bilhões. Segundo representantes dos credores, a empresa brasileira teria remetido recursos ao exterior durante a execução da obra e encerrado suas atividades deixando prejuízos em cadeia, inclusive com fechamento de empresas no Ceará.
A administradora judicial nomeada no processo atribuiu a falência a fatores como aumento de custos, recessão econômica, falta de novos contratos, crise no setor siderúrgico e a pandemia. Credores rebatem a versão e defendem a anulação do pedido de falência, afirmando que a empresa foi estruturada para um único projeto e que não há justificativa econômica para o não pagamento das dívidas após o recebimento integral do contrato.