
O Banco Modal solicitou à Justiça o bloqueio de eventuais pagamentos que o Partido Liberal (PL) faria ao publicitário Eduardo Fischer, consultor estratégico de comunicação na pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A ação envolve uma dívida atualizada em cerca de R$ 114 milhões, incluindo juros, correção monetária e multa. Com informações da Folha de S. Paulo.
Segundo o banco, a função de marqueteiro eleitoral é das mais bem remuneradas no mercado publicitário brasileiro, “envolvendo contratos de elevadíssimo valor”, e contestou a alegação de Fischer de que se encontra em situação de “derrocada financeira”.
“Nenhum publicitário falido, nenhum profissional verdadeiramente sem patrimônio, é convocado para conduzir o marketing de uma das principais candidaturas à Presidência da República em meio à crise reputacional decorrente do caso Master”, afirmou a instituição.
O Modal também pediu que o PL e Flávio Bolsonaro sejam obrigados a informar à Justiça o valor do contrato, cronogramas de pagamento e fontes pagadoras, além de impedir que eventuais pagamentos sejam realizados em contas no exterior.
A ação do banco busca garantir que a dívida seja quitada antes que Fischer receba qualquer valor referente à campanha. O advogado de Fischer, Fernando Equi Morata, afirmou à Folha que o publicitário não atuará como responsável pelo marketing da campanha e será apenas um consultor colaborador.

Ele também explicou que Fischer ainda apresentará defesa sobre a dívida e que problemas financeiros recentes decorrem de negociações em que figurou como avalista, sendo pagos na medida do possível.
Eduardo Fischer é considerado um dos principais publicitários do país, responsável por campanhas de destaque, como “Brahma número 1” e “A volta do baixinho da Kaiser”. Em 2018, ele atuou na campanha presidencial de Álvaro Dias (Podemos), que obteve pouco mais de 859 mil votos.
A troca de marqueteiro na pré-campanha de Flávio ocorreu após a crise envolvendo o áudio em que o pré-candidato solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear o filme do pai, Jair Bolsonaro. Marcello Lopes, conhecido como Marcellão e amigo de Flávio, deixou a função de responsável pelo marketing.
O pedido de bloqueio do Banco Modal visa impedir que Fischer receba valores antes da resolução da dívida e resguardar os interesses financeiros da instituição, que tenta receber judicialmente o pagamento desde 2021. A Justiça ainda não analisou o pedido.