Não acontecerá nada com o controlador descontrolado. Por Moisés Mendes

Publicado no Blog do Moisés Mendes

Ministro Wagner Rosário, da CGU. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Estão chamando Wagner do Rosário, chefe da Controladoria-Geral da União, de machista, porque o sujeito disse hoje na CPI do Genocídio que a senadora Simone Tebet estava “totalmente descontrolada”.

Chamam Rosário de machista, repetem e reafirmam que o sujeito é machista e pau-mandado de Bolsonaro. O homem vai à CPI, ataca uma senadora, bate boca com os senadores, ergue a voz e sai dali apenas como machista.

Ser chamado de machista, nas atuais circunstâncias, é quase nada. Chamar um bolsonarista de machista é um elogio.

O que Wagner do Rosário perde sendo chamado de machista, depois de desrespeitar toda a CPI, e não só a senadora?

Não perde nada. O sujeito pode ter saído dali e ido beber com os amigos. Devem ter gargalhado com a situação criada.

O homem enfrenta uma integrante da CPI que investiga rolos que ele deveria ter evitado, desafia os senadores, não pede desculpas e fica como machista. Não significa nada.

A palavra foi repetida ali, no momento do ataque, e está em textos publicados na internet. O controlador-geral da União se descontrola e chama uma senadora de descontrolada. E assim vai ficar.

O que aconteceu de concreto é que o homem passará a ser investigado pela CPI, porque como testemunha foi desaforado. Mas não muda muita coisa.

Parece que muda, mas ele continuará afrontando os senadores, como quase todos os bolsonaristas que depuseram já afrontaram. Eles depõem, são reconvocados e voltam a mentir e a afrontar.

Se convocassem o filho 04 de Bolsonaro, por encontrar alguma relação dele com as facções das vacinas, o garoto que filma armas e manda recados à CPI poderia fazer o que o controlador fez.

Renan poderia chamar qualquer um de descontrolado e seria chamado de moleque, mas é quase certo que não aconteceria nada.

Chegamos ao ponto em que o 04 poderia entrar armado na CPI, disparar tiros para todo lado e dizer que a arma era de pressão.

Haveria apenas um bate-boca. A CPI passaria a debater se ele teria ou não o direito de dar tiros com arma de pressão.

(Abaixo, trechos que mostram como o controlador enfrentou a CPI, como não se tivesse nada a temer.)