
A seleção do Irã poderá abandonar partidas da Copa do Mundo de 2026 caso ocorram manifestações políticas nos estádios. A posição foi comunicada à Fifa pelo governo iraniano às vésperas da estreia da equipe no torneio.
Em entrevista ao portal Varzesh3, o ministro dos Esportes do país, Ahmad Donyamali, afirmou que as autoridades deixaram clara a possibilidade de retirada da equipe em caso de protestos: “Informamos à Fifa que os membros da seleção nacional deixariam a partida assim que ouvissem slogans políticos nos estádios”.
O governo iraniano também pediu à entidade que apenas a bandeira oficial do país seja permitida durante os jogos. Segundo Donyamali, a presença da antiga bandeira persa com os símbolos do leão e do sol, frequentemente associada a grupos opositores, também poderia levar a seleção a deixar o campo.
“O segundo ponto que enfatizamos foi que apenas a bandeira oficial deveria ser considerada legal, e não a antiga bandeira persa com o leão e o sol. A equipe também abandonaria o campo nesses casos”, prosseguiu o ministro.

A preocupação das autoridades aumentou porque as duas primeiras partidas do Irã serão disputadas em Los Angeles, cidade que abriga uma das maiores comunidades iranianas fora do país e concentra milhares de opositores do atual governo.
O Irã estreia diante da Nova Zelândia e depois enfrenta a Bélgica. A última partida da fase de grupos será contra o Egito. A expectativa é de que a presença de grupos de oposição nos estádios mantenha o tema sob atenção durante toda a campanha iraniana no Mundial.
A participação da equipe já vinha sendo discutida por causa das tensões diplomáticas envolvendo o país. Nos últimos meses, questões relacionadas a vistos, deslocamentos e segurança geraram dúvidas sobre a logística da delegação durante a competição.
A Federação Iraniana de Futebol decidiu deixar a concentração da equipe em Tijuana, no México, e enviar a delegação para os Estados Unidos somente nas datas das partidas.