Correspondentes internacionais demitidos do Washington Post ganham vaquinha para voltar para casa

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 9:42
Sede do Washignton Post. Foto: Wikimedia Commons

Ex-repórteres do Washington Post lançaram uma campanha no GoFundMe para arrecadar recursos destinados a funcionários internacionais do jornal que foram demitidos e agora enfrentam dificuldades para deixar os países onde vivem e retornar a seus locais de origem.

Entre os centenas de jornalistas dispensados em 4 de fevereiro de 2026, estão dezenas de trabalhadores internacionais que atuavam de forma decisiva na cobertura de temas globais. O grupo inclui correspondentes e editores contratados por subsidiárias fora dos Estados Unidos, além de funcionários locais, como pesquisadores, tradutores, gerentes de escritório e motoristas, em cidades que vão do Cairo à Cidade do México.

Esses profissionais não são representados pelo sindicato do Washington Post e, em muitos casos, receberam condições de desligamento piores do que as oferecidas a colegas nos EUA. Além disso, enfrentam obstáculos logísticos severos e, em algumas situações, riscos reais à segurança pessoal.

A campanha afirma que o objetivo é apoiar um grupo descrito como corajoso, que agora lida com a perda repentina de emprego, moradia, vistos e benefícios. Os recursos arrecadados serão usados para cobrir despesas urgentes, como aluguel, orientação jurídica, custos de mudança para outro país — quando necessário —, armazenamento de pertences deixados para trás e outras necessidades imediatas durante o período de transição.

Michelle Lee, uma das organizadoras da vaquinha. Foto: Reprodução

A vaquinha é coordenada por jornalistas do próprio Washington Post, entre eles Michelle Lee e Rebecca Tan. Segundo os organizadores, 100% do valor arrecadado será repassado aos funcionários internacionais demitidos que não são cobertos pelo sindicato, por meio de transferências via Venmo, Zelle, Western Union e bancos, ao longo das próximas semanas.

As demissões atingiram cerca de um terço de toda a redação. Entre os cortes, está a dispensa completa da editoria de esportes, ocorrida às vésperas da Olimpíada de Inverno e do Super Bowl LX.

De acordo com um e-mail obtido pela CNN, funcionários da redação receberam ordem para permanecer em casa na quarta-feira e participar de uma reunião por Zoom às 8h30 (horário do leste dos EUA), convocada para comunicar “ações significativas em toda a empresa”. A mensagem foi assinada pelo editor-executivo Matt Murray e por Wayne Connell, alto executivo da área de recursos humanos.

Em carta aos funcionários, também obtida pelo próprio jornal, Murray informou que as medidas incluíram cortes amplos na redação, afetando quase todos os departamentos de notícias, e descreveu a decisão como dolorosa.