Covid-19: Deputado bolsonarista fala em “seleção natural”, conceito usado pelos nazistas para “limpar” o país

Bolsonaro – Evaristo Sá/AFP

O deputado bolsonarista e intelectual Daniel Silveira explicitou, sem querer, a “ideia” por trás do genocídio promovido pelo governo a reboque da pandemia. 

“Falou em segunda onda de covid, já classifico como um completo idiota, levando em consideração que qualquer vírus permanece na sociedade. Teremos ciclos eternos onde pessoas morrerão como sempre foi. Chama-se seleção natural. Essa é a verdade inconteste, mas a agenda deve seguir”. escreveu no Twitter.

Questionado por um internauta, foi além: “Já perdi um irmão para uma pneumonia seguido de infecção hospitalar. Ele tinha 28 anos! Foi seleção natural, babaca!”

A possibilidade de selecionar os mais aptos é um princípio caro ao nazismo, emprestado da eugenia.

Charles Darwin restringiu as teorias do livro “A Origem das Espécies” ao mundo natural, mas outros pensadores a adaptaram de um jeito pervertido às sociedades humanas.

Para Bolsonaro e sua turma, o vírus pode limpar o Brasil dos elementos indesejados.

A começar dos velhos, alvo do desprezo do próprio presidente, mas não só: hão de ser eliminados “naturalmente” os pobres e os pretos.

Depois deles, quem sabe, os comunistas e outros “degenerados”. 

“Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo”, disse o médico americano Joseph DeJarnette, que castrava pobres.

Em 1939, os alemães começaram a matar pessoas com deficiência, em um programa de “eutanásia forçada”.

O gás Zyklon B foi empregado no assassinato de 70 mil pessoas “indignas de viver”. Dada sua eficiência, passou a ser ministrado nas câmaras dos campos de concentração.

Os bolsonaristas como Daniel consideram que a natureza, sozinha, dará cabo do problema. Que sobrevivam os mais aptos.

Quando você se perguntar como a Alemanha abraçou Hitler, pense nos 37% de compatriotas que acham Jair Bolsonaro ótimo ou bom, de acordo com o Datafolha.

Em 1941, Hitler percebeu que não venceria a guerra. Quanto mais perto da derrota, mais intensificava o genocídio.

Qualquer coincidência é mera semelhança.