Covid-19 terá avanço nas regiões Sul e Centro-Oeste nas próximas semanas. Por Denise Assis

(Photo by Andre Coelho/Getty Images)

Originalmente publicado em JORNALISTAS PELA DEMOCRACIA

Por Denise Assis

Em matéria publicada pela jornalista Regina Castro, a Agência Fiocruz de Notícias faz um alerta preocupante: Sul e Centro-Oeste tendem a cenário crítico nas próximas semanas de avanço da Covid-19. Ela nos mostra também que, segundo o perfil demográfico, as faixas etárias de 30 a 39, de 40 a 49, e 50 a 59 anos continuaram sendo aquelas com aumento mais notável de casos da enfermidade: respectivamente, 1.218,33%, 1.217,95% e 1.144,94%. Além da manutenção do rejuvenescimento da pandemia no Brasil, a comparação entre a Semana Epidemiológica 1 (3 a 9 de janeiro de 2021) e a 12 (21 a 27 de março) sinalizou um aumento global da doença de 701,58%.

Enquanto Bolsonaro esbraveja contra a instalação de uma CPI que vai expor as vísceras do seu descaso para com a doença, os pesquisadores da instituição chegaram à conclusão de que quando se trata dos óbitos, a comparação entre as semanas epidemiológicas 1 e 12 mostrou um crescimento global de 468,57%. As faixas que mantiveram crescimento superior ao global foram 20 a 29 (872,73%); 30 a 39 (813,95%); 40 a 49 (880,72%); 50 a 59 (877,46%); e 60 a 69 anos (566,46%).

Responsáveis pela edição do Boletim noticioso, os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz verificaram que a faixa etária de 20 a 29 anos, que durante a Semana Epidemiológica (SE) 10 teve aumento inferior ao aumento global (256%), após uma atualização dos dados, passou a apresentar crescimento de 876% naquela semana (7 a 13 de março). Agora na análise mais recente (SE 12), o crescimento foi de 740,80%, também maior do que a média global (701,58%). Ou seja, um quadro calamitoso, quando o mundo já assiste o arrefecimento da Covid em países que melhor cuidaram da pandemia.

Ainda de acordo com o boletim, as maiores taxas de incidência de Covid-19, foram observadas nos estados de Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal.

Já as taxas de mortalidade mais elevadas foram verificadas nos estados de Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. Esse padrão coloca as regiões Sul e Centro-Oeste como críticas para as próximas semanas, o que pode ser agravado pela saturação do sistema de saúde nesses estados.

Um quadro preocupante é o da imunização. Segundo observaram os pesquisadores, o Brasil ainda está distante dos valores necessários para que o país tenha “uma situação de maior controle’. As primeiras doses das vacinas foram disponibilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), até o período em análise, para 13% da população acima de 18 anos e as segundas doses para apenas 3,68%.

Uma das saídas do quadro agudo implicaria a adoção da medida que provoca urticária em Bolsonaro. Os estudiosos da doença apontam como exemplo de boas soluções contra o avanço da pandemia no Brasil, as medidas de bloqueio adotadas em Fortaleza, na região metropolitana de Salvador e no município de Araraquara. Os impactos positivos dessas medidas em países como Itália e Espanha também são citados como exemplo no documento.

Segundo o Boletim, múltiplos fatores contribuíram para este novo patamar da pandemia. Para enfrentar o atual cenário, os pesquisadores ressaltam que é fundamental a combinação de diferentes medidas, envolvendo as não-farmacológicas, o sistema de saúde e as políticas e ações de proteção e assistência social para redução da vulnerabilidade e do impacto social. E, por fim, sugerem o que se apresenta como a solução mais urgente, porém a menos viável, no momento, do ponto de vista político. Mestre em atacar as esferas de poder de municípios e estados, é muito pouco provável que Bolsonaro concorde em segui-la, embora os pesquisadores seja claros:

“É preciso que haja convergência e integração dos diferentes poderes do Estado brasileiro (Executivo, Legislativo e Judiciário), assim como os diferentes níveis de governo (municipais, estaduais e federal), com participação das empresas, instituições e organizações da sociedade civil (de nível local ao nacional) para o enfrentamento deste momento bastante crítico e grave da pandemia”, alertam.

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