CPI do Crime: relator quer quebrar sigilo da mulher de Alexandre de Moraes

Atualizado em 27 de janeiro de 2026 às 17:24
O senador Alessandro Vieira. Foto: Divulgação

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado no Senado, prepara requerimentos para quebrar o sigilo de empresas e pessoas ligadas ao Caso Master. A iniciativa pode levar oficialmente o banco ao escopo da comissão e inclui o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Segundo informações reunidas pelo relator, o escritório da advogada teria sido contratado pelo Banco Master no contexto das negociações de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Os honorários previstos no contrato chegam a R$ 131,2 milhões ao longo de 36 meses. Nem a advogada nem o banco negaram os valores divulgados.

Outro alvo dos requerimentos em estudo é o resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento teve entre seus sócios dois irmãos e um primo do ministro do STF Dias Toffoli, relator do processo envolvendo o Banco Master no Supremo. As participações familiares foram posteriormente vendidas a fundos de investimento.

Um desses fundos pertence ao empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A estrutura é administrada pela Reag Investimentos, gestora ligada ao grupo financeiro. As conexões reforçaram, na avaliação do relator, a necessidade de aprofundar a apuração no Senado.

A CPI do Crime Organizado foi instalada em novembro de 2025 para investigar lavagem de dinheiro, corrupção, ocupação de territórios e o sistema prisional. Alessandro Vieira afirma que o plano de trabalho aprovado permite incluir o Caso Master sem necessidade de criar uma nova comissão específica.

O ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci de Moraes. Foto: Divulgação

A movimentação também é vista como uma forma de antecipação. Já existe número mínimo de assinaturas para a criação de uma CPI exclusiva sobre o Banco Master, mas a instalação depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Até agora, não há indicação se ele autorizará a abertura.

Em entrevista ao Estadão, o senador afirmou que o Senado é o único espaço institucional capaz de enfrentar esse tipo de apuração. “Esse é um ponto que só o Senado tem capacidade de enfrentar. Em todas as outras frentes, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República podem avançar”, disse.

Os primeiros pedidos de quebra de sigilo devem se concentrar em empresas e contratos, não diretamente nos ministros do STF. A estratégia é levantar documentos financeiros e societários antes de avaliar convocações para depoimentos.

Para Vieira, ainda não há transparência suficiente que explique por que o processo do Banco Master está sob a relatoria de Dias Toffoli no Supremo. A inclusão do caso na CPI, segundo ele, busca esclarecer essas conexões sem avançar além das atribuições legais da comissão.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.