
A bancada governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apresentou um relatório alternativo que propõe o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e do pastor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A medida gerou controvérsias, já que a oposição, com ligeira maioria na comissão, bloqueou tentativas de aprofundar as investigações sobre o parlamentar.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) explicou que a inclusão de Flávio Bolsonaro no relatório final alternativo tem relação com o envolvimento de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia de Flávio, com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Segundo Correia, “Ele (Flávio) tem muito influência no fundo previdenciário no Rio, que passou R$1 bilhão para o Master com influência do Flavio. Por isso o Flavio não fala do Vorcaro”, reforçando a acusação de tráfico de influência.
A reação dos governistas foi imediata após o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), incluir no seu parecer final o pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e de outras 215 pessoas, incluindo empresários, parlamentares e ex-ministros.

A base governista rechaçou o parecer, com a expectativa de rejeição do relatório e a nomeação de um novo relator. O parlamentar afirmou que, após a rejeição do parecer de Gaspar, o regimento da CPMI impõe a indicação de um novo relator.
Caso o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), se recuse a fazer essa indicação, os governistas consideram que haverá uma clara “blindagem” dos envolvidos no caso, especialmente em relação ao filho de Bolsonaro e Vorcaro.
A votação do parecer de Gaspar, que foi distribuído previamente entre os parlamentares, gerou um ambiente tenso na CPMI. O relatório final sugeriu o indiciamento de figuras como Lulinha e outros membros da alta cúpula do INSS, mas a base governista pretende usar sua maioria para reverter a situação.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secom, está à frente da elaboração do relatório alternativo, buscando garantir a aprovação de um documento que reflita a posição do governo.
A base governista aposta na aprovação do relatório alternativo, com a expectativa de que o placar seja favorável, com 20 votos a 11. Enquanto isso, os parlamentares de oposição continuam a defender o parecer do relator e a rejeitar as acusações envolvendo o senador.