CPMI do 8 de janeiro: relatora pede indiciamento de Bolsonaro e 8 generais

Atualizado em 17 de outubro de 2023 às 10:29
Bolsonaro

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre atos golpistas, apresentou nesta terça relatório solicitando o indiciamento de 56 pessoas, que engloba tanto civis quanto militares. O ex-presidente Jair Bolsonaro e seu núcleo principal de governo, constituído por cinco ex-ministros e quatro ex-assessores, estão entre eles.

A votação está prevista para a próxima quarta-feira (18).

Além de Bolsonaro e seu círculo, o documento reforça a responsabilização de membros das Forças Armadas, em destaque os ex-comandantes Almir Garnier Santos (Marinha) e Marco Antônio Freire Gomes (Exército). Integrantes da Polícia Militar do DF, responsáveis pela segurança da Esplanada dos Ministérios, também são citados.

Os indiciamentos propostos abrangem 26 diferentes infrações, sendo as principais: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de destituição de um governo legítimo. Esses crimes foram atribuídos a 46 dos mencionados.

A senadora aponta que os eventos de 8 de janeiro, em que houve ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília, são reflexo da suposta omissão do Exército e das declarações ambíguas das Forças Armadas.

Gama argumenta que o entorno de Bolsonaro estava ciente e intencionalmente alimentava manifestações com intenções golpistas. A relatora destaca que Bolsonaro e seu grupo incentivavam tais ações, contribuindo para o cenário caótico.

Em relação a Bolsonaro, os crimes pelos quais seu indiciamento é solicitado incluem associação criminosa e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

O relatório também foca na atuação de militares, responsabilizando-os em parte pelos eventos de 8 de janeiro. Notavelmente, 29 membros das Forças Armadas e da PMDF foram mencionados. Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, foi acusado de colaborar com Bolsonaro em planejamentos relacionados ao evento de 8 de janeiro.

Para que o relatório seja validado, a maioria dos membros da CPI, composta por deputados e senadores, deve aprová-lo. Posteriormente, será encaminhado a diversas instituições, como o Ministério Público e a AGU, para avaliação e possível apresentação de denúncias.

No total, os dois tipos penais foram atribuídos a 56 pessoas.

São indiciados pela relatora no documento:

  1. ex-presidente Jair Bolsonaro
  2. general Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa
  3. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e então secretário de Segurança Pública do DF nos atos
  4. general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro
  5. general Luiz Eduardo Ramos, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro
  6. general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa de Bolsonaro
  7. almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha
  8. general Freire Gomes, ex-comandante do Exército
  9. tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e principal assessor de Bolsonaro
  10. Filipe Martins, assessor-especial para Assuntos Internacionais de Bolsonaro
  11. deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)
  12. coronel Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
  13. general Ridauto Lúcio Fernandes
  14. sargento Luis Marcos dos Reis, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
  15. major Ailton Gonçalves Moraes Barros
  16. coronel Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde
  17. coronel Jean Lawand Júnior
  18. Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de inteligência do Ministério da Justiça e ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do DF
  19. Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal
  20. general Carlos José Penteado, ex-secretário-executivo do GSI
  21. general Carlos Feitosa Rodrigues, ex-chefe da Secretaria de Coordenação e Segurança Presidencial do GSI
  22. coronel Wanderli Baptista da Silva Junior, ex-diretor-adjunto do Departamento de Segurança Presidencial do GSI
  23. coronel André Luiz Furtado Garcia, ex-coordenador-geral de Segurança de Instalações do GSI
  24. tenente-coronel Alex Marcos Barbosa Santos, ex-coordenador-adjunto da Coordenação Geral de Segurança de Instalações do GSI
  25. capitão José Eduardo Natale, ex-integrante da Coordenadoria de Segurança de Instalações do GSI
  26. sargento Laércio da Costa Júnior, ex-encarregado de segurança de instalações do GSI
  27. coronel Alexandre Santos de Amorim, ex-coordenador-geral de Análise de Risco do GSI
  28. tenente-coronel Jader Silva Santos, ex-subchefe da Coordenadoria de Análise de Risco do GSI
  29. coronel Fábio Augusto Vieira, ex-comandante da PMDF
  30. coronel Klepter Rosa Gonçalves, subcomandante da PMDF
  31. coronel Jorge Eduardo Naime, ex-comandante do Departamento de Operações da PMDF
  32. coronel Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, comandante em exercício do Departamento de Operações da PMDF
  33. coronel Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues, comandante do 1º CPR da PMDF
  34. major Flávio Silvestre de Alencar, comandante em exercício do 6º Batalhão da PMDF
  35. major Rafael Pereira Martins, chefe de um dos destacamentos do BPChoque da PMDF
  36. Alexandre Carlos de Souza, policial rodoviário federal
  37. Marcelo de Ávila, policial rodoviário federal
  38. Maurício Junot, empresário
  39. Adauto Lúcio de Mesquita, financiador
  40. Joveci Xavier de Andrade, financiador
  41. Meyer Nigri, empresário
  42. Ricardo Pereira Cunha, financiador
  43. Mauriro Soares de Jesus, financiador
  44. Enric Juvenal da Costa Laureano, financiador
  45. Antônio Galvan, financiador
  46. Jeferson da Rocha, financiador
  47. Vitor Geraldo Gaiardo , financiador
  48. Humberto Falcão, financiador
  49. Luciano Jayme Guimarães, financiador
  50. José Alipio Fernandes da Silveira, financiador
  51. Valdir Edemar Fries, financiador
  52. Júlio Augusto Gomes Nunes, financiador
  53. Joel Ragagnin, influenciador
  54. Lucas Costar Beber, financiador
  55. Alan Juliani, financiador
  56. Amauri Feres Saad, advogado