
A CPMI do INSS antecipou o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a próxima segunda-feira (23), em Brasília. Ele deverá ser ouvido primeiro pelo colegiado, às 16h, após adiamento anterior por “questões de saúde”.
O vice-presidente da comissão, deputado Duarte Júnior (PSB-MA), afirmou que a convocação busca esclarecer contratos supostamente irregulares. O colegiado quer que ele explique os contratos de empréstimos consignados supostamente irregulares envolvendo aposentados e pensionistas.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que a mudança de data busca garantir a presença do empresário. “O Brasil quer respostas. A verdade vai aparecer!”, publicou.
“Eu tomei essa decisão da antecipação para que se evitassem desculpas do não comparecimento na quinta-feira. O quanto antes nós o ouvirmos, melhor será para o povo brasileiro e para as respostas que a CPMI quer dar a todo o país.”
Segundo ele, a comissão está restrita ao escândalo dos descontos indevidos nas contas de aposentados. “Houve uma conversa com o ministro Dias Toffoli [que era à época relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal)], e eu concordo com ele. A nossa atribuição, enquanto Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, é investigar os descontos indevidos nas contas dos aposentados”.
O senador também afirmou que ouvir Vorcaro é um dos depoimentos mais importantes para esclarecer os contratos entre financeiras, fintechs e bancos com a Previdência, que teriam resultado em descontos bilionários sem fiscalização adequada.
COMUNICADO OFICIAL – CPMI DO INSS
O nosso compromisso é com o Brasil.
É com as viúvas, órfãos e aposentados do nosso país que foram lesados justamente por quem mais deveria defendê-los.A Presidência da CPMI do INSS informa que o depoimento de Daniel Vorcaro, proprietário do…
— Carlos Viana (@carlosaviana) February 18, 2026
Outras frentes de investigação
Após a CPMI, Vorcaro também deve depor na terça-feira (24) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que investiga o Banco Master. A comissão, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), aprovou a convocação na semana passada no âmbito de uma subcomissão criada para apurar a atuação da instituição financeira.
Renan criticou a antecipação e afirmou que “o Centrão deve ter manobrado”, mas reforçou a continuidade das apurações. “A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, como um todo, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação”.
Além dessas duas frentes, há ainda um pedido protocolado para a criação de uma CPMI exclusiva sobre o Banco Master, cuja instalação depende da leitura em sessão conjunta do Congresso pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Vorcaro já havia sido ouvido pela Polícia Federal no fim de dezembro de 2025, no inquérito que apura fraudes financeiras e práticas irregulares ligadas ao banco. Na ocasião, negou irregularidades e disse que queria “restabelecer a verdade” e que “não era para ter liquidado” o Master.
O empresário também relatou conversas com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a proposta de venda da instituição ao BRB, afirmando que houve mais de um encontro para tratar da negociação.
Toffoli citado no inquérito
Mensagens encontradas no celular do empresário também colocaram o ministro Dias Toffoli no centro das investigações, indicando vínculos e tratativas financeiras ligadas a um empreendimento imobiliário. Após as revelações, cresceram os questionamentos sobre sua atuação, e ele acabou afastado da relatoria do caso.
Desde que assumiu o processo, havia decretado sigilo da investigação e limitado o acesso da Polícia Federal às provas. O caso passou ao ministro André Mendonça, que aguarda novo relatório da PF sobre a apuração, incluindo a suspeita de eventual participação societária de Toffoli em empreendimento ligado a fundos do grupo de Vorcaro.
