CPMI mira administradora do escritório de Flávio Bolsonaro e cita elo com “Careca do INSS”

Atualizado em 1 de fevereiro de 2026 às 23:45
O senador Flávio Bolsonaro. Imagem: reprodução

Um requerimento de convocação que deve ser apresentado nesta semana à CPMI do INSS mira Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde a fundação, em 2021. Embora o texto do requerimento citá-la como “sócia-administradora”, a atualização aponta que ela é administradora, de acordo com com a coluna do Lauro Jardim, do Globo.

A retomada dos trabalhos da comissão está marcada para quinta-feira (5), no Senado, e provoca tensão no entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), de dentro da prisão, como candidato do clã à Presidência em outubro.

O pedido relaciona Letícia ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, pivô da Operação Sem Desconto e das investigações da Polícia Federal sobre fraudes contra aposentados e pensionistas. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, descrito como sócio do “Careca do INSS” em uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e alvo de operação da PF por suspeita de lavagem no exterior do dinheiro das fraudes.

Alexandre é citado pela PF como contador e integrante do núcleo administrativo-financeiro do grupo, com atuação ligada à ocultação patrimonial e à internacionalização de recursos. O requerimento menciona ainda entrevista em que Letícia disse ter sido indicada para ser administradora do escritório por Willer Tomaz, descrito como amigo do senador e que já defendeu Alexandre em alguns processos. O documento traz a frase: “Diante das evidências, suspeita-se de uma conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo de Antônio Carlos Camilo Antunes (o Careca do INSS), visto que seus sócios são irmãos”.

lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, coçando a cabeça, sério
O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” – Reprodução

Aberta em 16 de abril de 2021, a empresa de Flávio é registrada no Setor de Mansões Dom Bosco (Lago Sul), em Brasília, o mesmo endereço da mansão comprada pelo senador em março de 2021 por R$ 5,97 milhões, com empréstimo do Banco de Brasília (BRB). O texto também cita que o BRB é investigado por tentar comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado pelo Banco Central (BC).

A CPMI do INSS já aprovou a convocação de Vorcaro e quebrou seus sigilos bancário, fiscal e telemático; o depoimento está agendado para 5 de fevereiro de 2026, mesma data em que pode ser votado o requerimento sobre a administradora do escritório de Flávio. As informações citam ainda que o INSS identificou irregularidades em mais de 250 mil contratos de empréstimo consignado do Banco Master e bloqueou cerca de R$ 2 bilhões em repasses ao banco até comprovação da veracidade.

Em nota, Flávio Bolsonaro respondeu dizendo que “a esquerda atua de forma covarde, contra uma mulher trabalhadora” e que Letícia “não tem absolutamente nenhum vínculo” com o esquema. Ele disse que ela é “funcionária contratada meramente para cuidar da burocracia do meu escritório” e que aparece como “administradora NÃO-sócia” porque senador é considerado “Pessoa Exposta Politicamente” (PEP), o que não permitiria que ele fosse administrador da própria empresa.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.