Criadora do “Grupo de Apoio ao jornalista Glenn Greenwald” no Facebook é acusada de estelionato

Postagem pedindo doação no grupo

POR SABRINA LEHMANN 

A criadora do Grupo de Apoio ao jornalista Glenn Greenwald no Facebook, Vivien Martins Marceli, que possui mais de 370 mil membros, é acusada de estelionato por diversos internautas.

De acordo com as pessoas lesadas, Vivien se utilizava de perfis falsos para cooptar membros e, desta forma, criar outros grupos para uma suposta amiga que padecia de câncer.

A professora Sonia Bieger diz que Vivien a convidou para participar do grupo Unidos para Salvar Vivien Esperança.

Ela relata que ali se contava a história de uma jovem militante de esquerda que sofria de tumor no pâncreas e passava dificuldades junto de sua mãe e do filho.

“Me comovi com a história. Tinha fotos, tudo muito triste, resolvi ajudá-la e fiz depósitos de agosto até dezembro de 2019”, lembra.

Sonia conta que Vivien dizia estar internada no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, e pediu o endereço para conhecê-la.

“Imediatamente fui excluída e bloqueada, então telefonei para o Mãe de Deus e descobri que nunca esteve ninguém com este nome internado lá. Resolvi, então, comunicar outros membros sobre minhas desconfianças”, declara.

Amália Oliveira, operadora de telemarketing, afirma ter recebido as mensagens de alerta de Sonia e começou a perceber contradições na história sobre Viviane Righetti e sua suposta amiga Vivien Esperança.

A conta em que eram feitos os depósitos das doações era da mãe de Vivien.

“Procuramos pelo nome na internet e apareceram os inúmeros processos que mãe e filha respondem como apropriação indébita, curatela, partilha. Chegamos à conclusão que na verdade Viviane Righetti e Vivien eram a mesma pessoa”, afirma.

Amalia revela que fez doações mensais de setembro de 2018 a janeiro de 2020 e os valores ultrapassam 2 mil reais.

Durante a procura por mais informações, Sonia e Amalia conheceram o advogado Vinicio Schumacher Santa Maria, que já havia sido administrador do grupo de apoio ao jornalista e estava desconfiado das ações de sua fundadora.

“Todos que ajudavam na administração já desconfiavam que o nome verdadeiro da criadora não era Viviane Righetti. Depois concluímos que ela utilizava esse nome falso porque já responde a um processo criminal e não queria exposição do nome verdadeiro (Vivien Martins Marceli)”, declara.

O advogado registrou um boletim de ocorrência contra Vivien por estelionato, alertou seus contatos via Facebook e fez uma postagem com os pedidos de ajuda feitos com a foto da suposta doente.

“Através deste post a menina da foto, que, até então, todos acreditavam que seria Vivien, foi reconhecida por uma amiga e ficamos sabendo que Camila* era a verdadeira pessoa da foto. Foi neste momento que tivemos certeza de que se tratava de um golpe”, explica.

O advogado relata ter sido criado um grupo de Apoio às vítimas de Vivien Esperança no Facebook para reunir mais informações e denunciar a prática do estelionato.

“Por meio das redes sociais acabamos descobrindo que, em 2015, Vivien se fazia passar por médium e psicografava cartas de filhos para mães e cobrava por este serviço, tendo sido expulsa do Centro Espírita Perseverança na cidade São Paulo”, destaca.

O grupo de vítimas ressalta que tem como prioridade reunir todas as provas e informações e as pessoas dispostas a denunciar e alertar os internautas sobre os possíveis golpes para evitar que outras pessoas também sejam lesadas.

Eles afirmam que Vivien utiliza como perfil principal no Facebook o nome de Viviane Martins Marceli – atualmente uma das administradoras do grupo de Apoio ao Jornalista Glenn Greenwald – e também já utilizou as contas Vivien Esperança, Vivien Poesia, Vivien Martinez, Viviane Righetti, Valeria Righetti, Vivi Bernardi, Luana Padilha.

* Nome fictício para preservar a imagem da vítima que teve suas fotos utilizadas

Ocorrência policial de registro de estelionato

 

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