Crimes no Paraisópolis: a omissão do PSDB mostra que a matança vai continuar. Por José Cássio


Milhares de jovens marcharam do Paraisópolis, nesta quarta-feira 4, em direção ao Palácio dos Bandeirantes, nas vizinhanças do bairro, para protestar contra o governador João Doria pela morte de 9 jovens em uma festa na madrugado de domingo (1).

“Doria a culpa é sua, a luta continua” eram as palavras de ordem da turma.

A depender da política de segurança alinhavada pelo gestor, podem gritar a vontade: a repressão aos movimentos de rua vai continuar – e recrudescer se for o caso.

O silêncio das autoridades é sintomático.

Na Câmara Municipal, nenhum dos 10 vereadores do PSDB subiu à tribuna nem ao menos para manifestar apoio às famílias dos mortos. A base parlamentar do prefeito Bruno Covas, do mesmo partido do governador, é composta de ao menos 30 vereadores de diversos partidos. Ninguém deu um pio.

Na segunda, 2, o diretório municipal do PSDB reuniu-se com o ex-governador Geraldo Alckmin.

Seria um excelente momento para debater o incidente e imaginar estratégias para envolver os milhares de jovens que vão à favela todos os sábados para se divertir.

Imagina.

A pauta do encontro foi outra: garantir a eleição de um tucano à prefeitura da cidade na eleição do ano que vem, seja Bruno Covas, que se recupera de um câncer, ou qualquer outro ligado ao partido.

Chegou-se a falar em lançar a mulher de Geraldo, Lu Alckmin, como candidata à vice, por acreditarem que ela pode ter bom apelo eleitoral por ter perdido um filho recentemente.

A repressão em Paraisópolis passou do tom por retaliação.

Há pouco mais de um mês, um sargento da PM, Ronaldo Ruas, foi morto por traficantes enquanto participava de uma operação no bairro.

Ruas pertencia à Força Tática do 16º Batalhão, grupo responsável pela ação desastrada de domingo.

O que se vai fazer com o jovens paulistanos de classe média baixa ninguém sabe. O que se sabe é que a ordem de Doria e seu governo é acabar com as festas, chamadas de ‘Pancadão’.

Está sendo assim em Paraisópolis e em diversos outros locais, onde a PM aparece e dispersa com bombas de efeito moral e violência.

As mortes deste domingo são a parte visível do problema. Vem muito mais por aí.

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