“Criminoso”: desvio de recursos do Bolsa Família para propaganda provoca reação no Congresso

Fabio Wajngarten‏ e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Twitter

A notícia da retirada de R$ 83,9 milhões de recursos do programa Bolsa Família para a comunicação institucional do Palácio do Planalto foi recebida com revolta por parlamentares nesta quinta-feira (4). Publicada do Diário Oficial da União, a medida atinge justamente os recursos previstos para a região Nordeste e deverá ser usada diretamente na Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom).

“Esse é mais um entre tantos fatos a mostrar a insensibilidade absoluta do presidente com as necessidades dos mais pobres em nosso país, dinheiro que sai do Bolsa Família vai para a conta da comunicação de Bolsonaro”, definiu o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA), logo após a divulgação do caso.

Junto com outros parlamentares do PSB, Luciano Ducci (PSB-PR) afirmou que congressistas já protocolaram ação para sustar a tentativa de Jair Bolsonaro (sem partido). “Assinei, junto com outros deputados do partido, um Projeto para sustar ato do governo federal que retirou quase R$ 84 milhões do Bolsa Família e destinou para a comunicação institucional do Palácio do Planalto. Não podemos permitir que famílias carentes sejam prejudicadas”, definiu.

Colega de Ducci, o deputado federal Cássio Andrade (PSB-PA) alertou para a gravidade da decisão em um momento de aguda crise sanitária. “Num momento de crise econômica e em plena pandemia, esse recurso seria vital para centenas de milhares de pessoas.”, criticou.

Assinada pelo secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, a transferência foi feita a pedido da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, justificando a viabilização de “campanhas publicitárias de caráter educativo, informativo e de orientação ao cidadão”.

Representante do Psol, a deputada Talíria Petrone (RJ) classificou a decisão como ‘absurda’ e afirmou que o partido será outro a pedir providências ao Tribunal de Contas da União (TCU). “Governo quer piorar a vida dos mais pobres! O absurdo de agora é que uma portaria do Ministério da Economia cortou $83,9 milhões do bolsa família, para investir na comunicação institucional da Presidência. É muita indecência! O Psol apresentou um pedido para que o TCU investigue”.

Líder da Minoria na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) anunciou que também apresentou uma ação do PT. “As famílias de mais baixa renda, que apresentam baixa ou nenhuma capacidade de poupança, dependem desses recursos para sobrevivência com mínima dignidade, ainda mais em quarentena. Apresentamos um projeto para cancelar a portaria do Bolsonaro que retira dinheiro do Bolsa Família e transfere para a promoção do seu governo!”, declarou.

Colega de partido, Reginaldo Lopes (PT-MG) também usou as redes para expressar sua revolta. “Criminoso! Bolsonaro tira R$ 83,9 milhões do Bolsa Família para investir em propaganda! Os recursos do Ministério da Cidadania foram remanejados para a comunicação institucional do governo justo na hora que os mais pobres mais precisam!”.

No Senado, o líder da oposição Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também reagiu. “Um dia depois de vetar R$8,7 Bi para os Estados e Municípios combaterem a covid-19, Bolsonaro tirou R$ 83 milhões do Bolsa Família e jogou para a Comunicação Institucional. Essas são as prioridades desse governo! Apresentamos PDL para sustar essa portaria absurda!”, anunciou.

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