Crivella x Freixo é muito mais do que a velha disputa direita x esquerda. Por Leo Mendes

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O segundo turno no Rio de janeiro, entre o bispo da Igreja Universal e o líder progressista, será decidido por aqueles que não simpatizam com nenhum dos dois.

Que entre Freixo e Crivella, escolhe PMDB ou PSDB, e nesse segundo turno ainda não sabe quem é o mal menor.

Esse eleitor não gosta da Igreja Universal, a considera exploradora da ignorância alheia, retrógada, cafona, coisa para a sua empregada doméstica ou novo rico.

Já Freixo ele enxerga como alguém honesto e inteligente, mas muito de esquerda.

O que talvez fique claro na campanha é que não se trata de uma disputa entre direita x esquerda.

A direita pode ser absolutamente liberal tanto nas questões econômicas quanto morais, e Crivella não representa nenhuma delas.

Sua campanha é populista, e não é à toa que tem Garotinho como grande aliado.

Os ricos conservadores, por mais que desprezem a esquerda, não são eleitores naturais de Crivella.

Nem a Globo gosta de Crivella. Pelo contrário, ele é o candidato da Record, sobrinho de Edir Macedo.

Sua base eleitoral foi construída pelas igrejas evangélicas, a maioria em áreas pobres da cidade.

E é sobre os pobres que ele projeta sua imagem de cuidador, de assistencialista, uma figura paterna e caridosa, ou seja, tudo o que a direita liberal tanto despreza no Estado.

Crivella não precisa agradar empresários, pois já tem dinheiro e poder de sobra na Igreja Universal. Seu discurso pró-empreendedorismo e meritocracia é apenas um desdobramento da Teologia da Prosperidade. É bem diferente do discurso que elegeu Dória em São Paulo.

No Rio, quem votaria em Dória, votou em Pedro Paulo, Osório ou Índio, que somados são 34%. Esses eram os representantes da direita, comprometidos com a agenda neoliberal, que não souberam trabalhar o voto útil.

Já os 14 assustadores % que votaram em Bolsonaro, e representam a extrema-direita, aproximam-se de Crivella também somente nas questões morais, e podem agora votar no bispo apenas para tentar evitar que um candidato de viado, sapatão e feminista vença.

Mas o compromisso de Crivella não é com a direita neoliberal nem com fascistas. Seu compromisso é com seu rebanho, com a salvação das almas infiéis.

Seu projeto de poder é o projeto de poder da Igreja Universal.

Estão assim em disputa duas campanhas antagônicas, mas cuja oposição vai muito além da que nos acostumamos, marcada pela dualidade esquerda x direita.

O que está em jogo no Rio de Janeiro é o futuro do Estado separado da religião.

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