
O Ministério do Interior de Cuba disse nesta quarta-feira (25) ter matado quatro pessoas e ferido outras seis durante uma ação contra uma lancha registrada nos Estados Unidos que teria atacado a guarda costeira cubana em águas territoriais da ilha.
Segundo o governo em Havana, os militares foram recebidos a tiros ao abordar a embarcação, e o capitão do barco cubano também foi baleado e levado para atendimento.
De acordo com as autoridades cubanas, a lancha teria invadido o território do país pela manhã, a cerca de uma milha náutica de Cayo Falcones, na província de Villa Clara.
O ministério não divulgou a identidade das vítimas, informando apenas que eram estrangeiras, nem explicou o que a embarcação registrada na Flórida fazia na região. Em nota, o governo afirmou que agiu para defender sua soberania.
“Face aos desafios que enfrenta, Cuba reafirma seu comprometimento em proteger seu território, baseado no princípio de defesa nacional como pilar fundamental da soberania do Estado cubano”, declarou.
Reação dos Estados Unidos
Autoridades estadunidenses disseram ter sido informadas do caso, mas ainda sem detalhes. O vice-presidente J. D. Vance afirmou ter conversado com o secretário de Estado, Marco Rubio. “Rubio me informou sobre o caso, mas não temos muitos detalhes”, disse.
🇺🇸🇨🇺 | URGENTE — El vicepresidente JD Vance se pronuncia sobre el ataque del régimen cubano a una embarcación estadounidense:
“Marco me informó sobre ello hace unos 15 minutos. Ojalá no sea tan malo como tememos que podría ser, pero no puedo decir más”.pic.twitter.com/VnHMKJgr4f
— Agustín Antonetti (@agusantonetti) February 25, 2026
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou investigação conjunta com órgãos estaduais e federais e criticou o governo cubano. “O governo cubano não é confiável e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas”, afirmou.
O deputado Carlos Gimenez também pediu apuração federal para esclarecer o ocorrido e identificar se havia cidadãos dos EUA entre as vítimas. “As autoridades dos Estados Unidos devem determinar se alguma das vítimas era cidadã americana ou residente legal e estabelecer exatamente o que ocorreu”, declarou.
Tensão entre EUA e Cuba
O episódio ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana, agravadas pela interrupção do fornecimento de petróleo à ilha após ações dos Estados Unidos envolvendo a Venezuela, que resultaram na derrubada e no sequestro do presidente Nicolás Maduro.
A crise energética tem provocado apagões prolongados, escassez de combustíveis e dificuldades no transporte público cubano.
Nesta quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que empresas estadunidenses podem revender petróleo venezuelano a Cuba, desde que o produto seja destinado a empresas privadas, medida que ocorre em meio ao agravamento da crise econômica na ilha.