Cuba se prepara para guerra enquanto EUA cortam petróleo

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 18:02
O presidente Miguel Díaz-Canel participa de protesto anti-imperialista diante da embaixada dos EUA, em Havana. Foto: Yamil Lage/AFP

O governo de Cuba intensificou a mobilização nacional e passou a exibir exercícios militares em meio ao agravamento das tensões com os Estados Unidos, no momento mais delicado desde a Crise dos Mísseis de 1962. Autoridades falam abertamente em uma possível “guerra em todo o território”, com participação da população civil, enquanto a crise energética se aprofunda na ilha.

O clima de alerta aumentou após declarações do encarregado de negócios dos EUA em Havana, Mike Hammer, durante uma reunião na embaixada americana. Segundo a CNN, ele afirmou que “agora haverá bloqueio de verdade”, com corte total do fornecimento de petróleo: “Nada vai entrar. Não vai chegar mais petróleo”.

A situação se agravou com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas, no início de janeiro, operação que resultou na morte de militares e agentes cubanos que atuavam em sua proteção.

A queda de Maduro interrompeu o fornecimento de petróleo venezuelano, responsável por mais de um terço da energia consumida em Cuba, levando a apagões prolongados, escassez de combustível e paralisações em serviços básicos.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Reprodução

Nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, formalizou a pressão ao assinar um decreto que autoriza tarifas contra países que forneçam petróleo a Cuba. “Não haverá mais petróleo ou dinheiro indo para Cuba, zero. Cuba é uma nação em colapso e é preciso sentir pena”, afirmou.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu classificando a medida como tentativa de “asfixiar a economia” da ilha. “Sob um pretexto mentiroso e sem fundamento, o presidente Trump pretende sufocar a economia cubana”, escreveu.

O México, principal fornecedor externo de petróleo a Cuba após o sequestro de Maduro, entrou no centro do impasse, com a presidente Claudia Sheinbaum alertando para o risco de “uma crise humanitária de grande alcance”.

Enquanto o cerco se fecha, o cotidiano em Cuba se deteriora. Apagões frequentes estragam alimentos, semáforos deixam de funcionar e o combustível em postos que operam em dólares chega a custar mais do que o salário mensal da maioria da população.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.