Cunhada de Hugo Motta recebeu R$ 140 milhões de Vorcaro, diz Renan Calheiros

Atualizado em 18 de maio de 2026 às 15:34
Daniel Vorcaro e Hugo Motta. Foto: Reprodução

Em audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, realizada em 12 de maio, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) pediu a abertura de uma CPI contra Hugo Motta (Rep-PB), presidente da Câmara dos Deputados.

De acordo com Calheiros, a cunhada de Hugo Motta teria recebido R$ 140 milhões em propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e envolvido em diversas fraudes bancárias e acusado de pagar propina a diversos políticos.

Motta teria proposto e trabalhado pela articulação política da aprovação de uma emenda para permitir o aporte de fundos de previdência e de pensão de funcionários públicos no Banco Master.

“Lamentavelmente, há uma outra emenda, desta vez aprovada, que foi proposta pelo presidente da Câmara dos Deputados para obrigar que fundos de previdência e de pensão aportassem dinheiro em fundos no banco Master. Essa emenda foi aprovada e sancionada”, disse Calheiros.

“A cunhada do presidente da Câmara recebeu R$ 140 milhões do Master a pretexto de empréstimo que venceu, nunca foi cobrado e nunca teve parcela paga”, acrescentou ele.

Emenda

Proposta em dezembro de 2023, a emenda Motta-Lira, como ficou conhecida, obrigava investimentos em setores ligados aos negócios de Daniel Vorcaro. No caso de Motta, a propositura dizia respeito ao mercado de carbono no Brasil.

A emenda obrigava fundos de previdência privada, fundos de pensão e outras entidades de capitalização a investirem parte de suas reservas em créditos de carbono ou fundos ligados a esses ativos.

Somente um órgão, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), contestou a alteração feita por Motta no texto da lei.

Conforme investigação da Polícia Federal, a Golden Carbon e a Golden Green, empresas do mercado de carbono, foram as principais beneficiadas. Ambas pertencem a fundos geridos pelo Banco Master.

O total a ser injetado nesse mercado por conta da obrigação criada por Motta é de cerca de R$ 9 bilhões anuais, segundo a CNSeg. Para a entidade de seguros, o mercado de carbono não teria capacidade de absorver esse volume de investimentos.