Da CPI ao TCU, mais uma articulação tosca do Planalto. Por Helena Chagas

Publicado nos Jornalistas pela Democracia

Jair Bolsonaro – Sérgio Lima

Por Helena Chagas

Jair Bolsonaro está rezando a todos os santos para escapar da CPI da Covid, e o último apelo agora é a São Sarney, o ex-presidente, ainda hoje muito bem articulado no MDB, no Senado e no TCU. A equação política que os aliados do governo tentam montar agora passa pela nomeação de um senador que agrade a Sarney e ao relator da CPI, Renan Calheiros, para a Corte de Contas.

Com isso, o Planalto tenta matar dois coelhos com uma cajadada só: tornar a composição do TCU mais amistosa para Bolsonaro no exame das contas do governo em 2022 e, ao mesmo tempo, se aproximar de Renan.

Sarney entra na conversa sobretudo porque o ministro a ser removido do TCU seria Raimundo Carreiro, uma indicação do Senado, seu ex-secretário geral da Mesa, que teria que ser convencido a antecipar em mais de um ano sua aposentadoria para abrir a vaga. Em troca, o governo acena com sua nomeação para uma embaixada.

O simples vazamento dessa negociação, porém, poderá colocá-la a perder. Como sempre, o Planalto faz as coisas de forma desastrada, tosca, e os personagens envolvidos podem não querer passar pela exposição desse desgastante toma-lá-dá-cá.

O sempre discreto Carreiro já chegaria exposto à sua nova função de embaixador. Sarney, que pode até ter razões maranhenses  para colaborar com Bolsonaro – é adversário do governador Flavio Dino –   também não vai gostar nada de ver revelado em público o rumo dessas conversas, já que tem excelentes relações com o também ex-presidente Lula.

Também parece ser ingenuidade suprema do Planalto acreditar que pode dobrar Renan dessa forma. O senador alagoano não vai se submeter à desmoralização pública encomendando uma pizza para a CPI em troca de uma nomeação, seja para TCU, para ministérios ou qualquer outra coisa.

Mudanças no TCU, aliás, tendem a diminuir sua influência, já que, além de próximo de Carreiro, ele é amigo de Bruno Dantas e outros ministros. Quem conhece Renan sabe que ele é, acima de tudo, um sobrevivente que olha para o futuro — onde, no caso dele, está Lula.

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