
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem defendido que o PL lance o secretário estadual de Cidades do Rio, Douglas Ruas, como candidato ao governo fluminense nas eleições de outubro. A articulação vem sendo feita em conversas reservadas durante visitas que o ex-mandatário recebe na Papudinha, onde está preso, segundo interlocutores que discutiram com ele o cenário eleitoral do estado nas últimas semanas. A eventual indicação é vista como sinalização política relevante dentro do partido, embora ainda não represente uma decisão formal.
Segundo o jornal O Globo, aliados afirmam que Bolsonaro citou o nome de Ruas ao tratar da sucessão no Palácio Guanabara e avaliou que o parlamentar reúne condições de representar o campo bolsonarista.
Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, o secretário é policial civil e foi o deputado estadual mais votado do Rio em 2022, consolidando base política na Região Metropolitana. Próximo ao presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, de quem já foi assessor, ele é apontado como um dos nomes mais viáveis da legenda por defender pautas ligadas à segurança pública.
Apesar disso, a possível candidatura enfrenta resistências internas. Setores do partido avaliam que a escolha ampliaria a influência de Altineu na estrutura estadual da sigla e defendem maior equilíbrio na formação das chapas.

Dirigentes do PL sustentam que a definição será construída internamente após o carnaval, em reunião com o senador Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro. O encontro deve discutir também a possibilidade de eleição indireta caso Castro deixe o cargo para disputar o Senado.
Sem vice-governador desde a renúncia de Thiago Pampolha, o Rio pode ter pleito indireto se Castro se afastar. O governador afirmou que precisa de “uma garantia” do partido antes de decidir seu futuro político. “Em primeiro lugar, eu preciso ter uma garantia de que quem vai ficar no meu lugar seja uma pessoa capaz de administrar um estado com um déficit orçamentário de R$ 19 bilhões este ano”.
Outro tema em aberto é a composição das vagas ao Senado. O senador Carlos Portinho busca a bênção de Bolsonaro para tentar a reeleição e afirmou que a decisão dependerá de Flávio Bolsonaro.
“Não tem martelo batido. Ele disse que uma das vagas é de indicação direta dele, mas que precisa conversar com o Flávio para fechar o arranjo no Rio”, afirmou Portinho. Também cotado, o senador Bruno Bonetti visitou o ex-presidente recentemente.