
A Polícia Federal (PF) iniciou uma nova fase das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após apreender celulares pertencentes a ele, incluindo um com 30% do conteúdo já analisado. Esse material foi suficiente para que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinasse a prisão do ex-banqueiro no dia 17 de novembro de 2025. Segundo fontes envolvidas nas investigações, o que foi encontrado até o momento é considerado apenas uma “gota no oceano” do que ainda pode ser revelado.
O conteúdo vazado revelou que o STF segue no centro da crise que envolve o Banco Master. Durante o processo, a jornalista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, divulgou que o ministro Alexandre de Moraes trocou mensagens de visualização única com Vorcaro, o que gerou uma série de reações, incluindo uma primeira negação por parte de Moraes. A situação se complicou quando mais prints das conversas vazaram, levando Moraes a se manifestar por meio de uma nota oficial.
De acordo com o gabinete de Moraes, ele realizou uma “análise técnica” do material vazado e concluiu que as mensagens não estavam dirigidas a ele. No entanto, o STF não forneceu detalhes sobre quem fez a perícia nem sobre como o material sob sigilo chegou ao gabinete do ministro. A falta de transparência em relação ao processo gerou mais desconfiança entre as instituições envolvidas nas investigações.
O vazamento de parte do conteúdo do celular de Vorcaro também chegou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, onde foi mencionado como um fator que pode aumentar o desgaste de Moraes. Por conta disso, Mendonça autorizou uma apuração dos vazamentos, com a Polícia Federal tendo sob sua custódia mais de 100 aparelhos relacionados à investigação.

Apesar das novas revelações, fontes próximas às investigações apontam que é muito cedo para afirmar se as conversas ocorridas no dia 17 de novembro — quando Vorcaro teria perguntado a Moraes se ele conseguiu bloquear algo — terão impacto adicional no caso. Ainda há muitos elementos a serem periciados pela PF antes que se possa tirar conclusões definitivas.
Nos últimos meses, a pressão sobre o STF aumentou devido ao avanço das investigações e aos detalhes expostos sobre as conexões de Vorcaro com figuras políticas e empresariais. A Polícia Federal já apreendeu ao menos oito celulares de Vorcaro e continua trabalhando para examinar o material, com mais de 100 aparelhos sob análise para determinar possíveis relações de complicidade.
A CPI do INSS, que agora está monitorando o caso, também se mostrou preocupada com os vazamentos de informações sigilosas e pediu que as investigações sobre esses vazamentos sejam aprofundadas. A reação das autoridades demonstra a complexidade e a sensibilidade do caso, que envolve não apenas a investigação de um esquema de fraudes financeiras, mas também questões relacionadas ao sigilo de dados e ao comportamento das instituições envolvidas.
Enquanto o caso Vorcaro segue em evolução, a decisão de Mendonça e a reação do STF continuam a ser um ponto central nas investigações. As autoridades continuam a analisar o material encontrado nos celulares apreendidos, com a expectativa de que mais revelações possam surgir nos próximos dias.