Dallagnol fará palestra na Espanha, onde deveria interrogar Tacla Durán. Por Joaquim de Carvalho

Ciro e Dallagnol, palestrantes

 

O procurador da república Deltan Dallagnol é anunciado como um dos palestrantes do Foro Brasil España, que acontecerá em Barcelona, Espanha, nos dias 23 e 24 de março.

É um evento privado, com ingressos vendidos a 40 euros (cerca de 180 reais) para estudantes e 60 euros (250 reais) para o público em geral.

Segundo a página do Foro na internet, o público-alvo são”estudantes e empreendedores brasileiros e espanhóis, investidores com interesse no Brasil, jornalistas, economistas e cientistas políticos.”

É patrocinado pelo Santander, uma das empresas que apareceram na Operação Zelotes. O diretor da área fiscal do banco, Reginaldo Antônio Ribeiro, responde a processo por corrupção.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, os procuradores registraram que ele comprou decisões favoráveis no CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais —, da Receita Federal.

Segundo o MPF, “os atos de corrupção ocorreram inicialmente em 2009 e se renovaram em 2013 e 2014”.

“Envolveram, de um lado, um executivo do Banco SANTANDER, REGINALDO ANTÔNIO RIBEIRO, diretor da área fiscal, e, de outro, os intermediários LUIZ ANTÔNIO PEREIRA DIAS, ANA PAULA UGUCIONE e ANTÔNIO JOSÉ ANDRADE (falecido), além do epicentro da corrupção, EDUARDO CERQUEIRA LEITE — um auditor da Receita Federal então Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária”, relata a denúncia.

Dallagnol informou no Twitter sua participação no Foro Brasil-Espanha, no dia 10 e março. “Estão abertas as inscrições para o 1º Foro Brasil España. Evento acontece nos dias 23 e 24 de março em Barcelona (Espanha) e tem como objetivo fomentar discussões sobre um “Brasil possível”. Participarei de uma conversa sobre o legado da #LavaJato“, registrou ele, com o link para sua página no Facebook, em que dá detalhes do evento.

No Facebook, ele divulga o vídeo com uma chamada para o Foro, na qual aparece a pergunta “O Brasil tem jeito?”, seguida de imagens do Carnaval e do futebol. “O Brasil pode ser muito mais”, sentencia a peça publicitária, com imagens dos protestos nas ruas, em que se destaca a palavra “corrupção”.

No fim, com imagens de favela e de praias do Rio de Janeiro, convida: “Não perca a oportunidade de ajudar a construir um Brasil melhor para todos. Nos dias 23 e 24 de março de março de 2018 em Barcelona 1o. Foro Brasil-Espanha”. Neste trecho, as imagens são da belíssima cidade de Barcelona.

Dallagnol fez a postagem talvez esperando elogios, mas recebeu muitas críticas. “Certamente discutirão o plano do Brasil colônia, o sonho de consumo dos procuradores e juízes GOLPISTAS. Grandes vira latas e grandes picaretas. Vão, e que por lá ou pelo inferno, fiquem”, escreveu um seguidor, com um meme que trata do acordo que obrigará a Petrobras a pagar nos Estados Unidos indenização 6,5 maior do que o dinheiro recuperado pela Lava Jato.

Outro avisa: “O senhor vai ser vaiado, com certeza.”

Como Espanha é o país do advogado Rodrigo Tacla Durán, os internautas logo fizeram a associação. “Tacla Durán vai?”, perguntou um seguidor de Dallagnol.

A internauta Daniela Faria postou apenas: “Tacla Duran, Tacla Duran, Tacla Duran, Tacla Duran, Tacla Duran”.

Dallagnol viajará para Espanha a convite dos organizadores e, como o evento é cobrado, deve ter cachê, cujo valor não revela.

Se considerar que, no evento, representará o Ministério Público Federal, poderá ainda reivindicar diárias.

O Foro começa numa sexta-feira, dia útil. Ele vai faltar do serviço público ou estará lá em missão oficial? Se for em missão oficial, embolsa algumas diárias.

Chama também a atenção que Dallagnol irá para a Espanha depois que os procuradores faltaram ao interrogatório de Rodrigo Tacla Durán em um tribunal de Madri, no dia 4 de dezembro passado, marcado a pedido da Lava Jato.

Segundo noticiado, o advogado Rodrigo Tacla Durán foi, mas nenhum procurador de Curitiba compareceu.

Em Barcelona, cerca de 400 quilômetros de Madri, Delta Dallagnol terá a companhia mais brasileiros como palestrantes, entre eles o pré-candidato a presidente Ciro Gomes e José Eduardo Martins Cardoso, que foi ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff.

“O Brasil tem jeito?”

Cardoso e a jornalista Luciana Barreto, também palestrantes

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