
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta quarta-feira que recebeu ameaças contra sua filha e que virou alvo de ataques nas redes sociais nos últimos dias. A declaração ocorreu em reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida por ela, um dia depois de Michelle Bolsonaro anunciar que deixará a presidência do PL Mulher em meio à crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Damares disse que os ataques passaram das críticas políticas e atingiram sua vida pessoal. “Essa semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis ataques (…) Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. A minha filha é uma menina indígena. Eu sou mãe de uma menina indígena. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela. É uma violência política que a gente não consegue imaginar”, afirmou.
Após o discurso, a senadora afirmou ao jornal O Globo que a bancada feminina do Senado pretende discutir medidas institucionais diante de episódios recentes de violência política contra mulheres. “A bancada feminina do Senado me informou que estará fazendo isso, pois a violência política contra mulher não está condicionada à vontade da vítima”, disse.
Na sessão, Damares afirmou que mulheres de diferentes campos políticos sofrem violência política de gênero e incentivou novas candidaturas femininas. “Não recue. Não tenha medo. Venha para a política. Participe, se engaje. Vão tentar te desanimar. Vão. Mas você precisa ser forte”, declarou.
O recado é direto para você, mulher, que quer transformar a sua cidade, o seu estado e o seu país: venha para a política!
Vão tentar te desanimar? Vão. Vão inventar mentiras sobre você? Vão. Mas a sua força precisa ser maior do que a maldade deles.
Nem mesmo os ataques mais… pic.twitter.com/UAtZqo0ScZ
— Damares Alves (@DamaresAlves) July 1, 2026
Damares critica ataques a mulheres e cobra pré-candidatos
A senadora também criticou declarações recentes do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e disse que ataques recentes chegaram a questionar a participação feminina na vida pública. “Chegaram ao absurdo, essa semana, de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar. Se a gente sabe escolher ou se merece ser escolhida”, afirmou. Em seguida, completou: “Nunca tivemos tantas mulheres candidatas como agora. Nós estamos chegando ao poder e tem gente que não suporta isso”.
Sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, Damares cobrou homens que já estão em pré-campanha e não se manifestaram diante dos ataques. “Agora é para todos os homens que estão em cima de palanques, em palcos, já fazendo pré-campanha. Se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência”, disse.
Ela reforçou a cobrança na sequência. “Há os homens que estão no processo político eleitoral. Se vocês se silenciam diante do ataque e da violência política contra a mulher, vocês são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques. Venham, colegas. Venham para essa luta. Venham conosco, não deixem apenas a mulher defender mulher”, declarou. Interlocutores da senadora dizem que o recado não mirou apenas Flávio, mas homens que disputam cargos eletivos e permaneceram em silêncio.
Pessoas próximas a Damares afirmam que os ataques se agravaram depois que Michelle divulgou um vídeo com críticas públicas ao enteado, mobilizando a base bolsonarista nas redes sociais contra mulheres do grupo político. Damares saiu em defesa da ex-primeira-dama: “Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nesses últimos dias. As imagens, inteligência artificial, a manipulação de imagens… atacaram a filha dela também”. Também nesta quarta-feira, Flávio reuniu deputadas e lideranças conservadoras em Brasília para apresentar uma agenda voltada ao eleitorado feminino; Damares não compareceu, e aliados atribuem a ausência à falta de manifestação pública do senador em defesa dela e de Michelle.