Dando credibilidade ao facínora Cabral, PF quer investigar ministro

Sérgio Cabral. Foto: Reprodução

Do Migalhas:

Nesta terça-feira, 11, o jornal Folha de S.Paulo informou que a PF encaminhou ao STF um surpreendente pedido de abertura de inquérito para investigar o ministro Dias Toffoli sob a estapafúrdia alegação de um suposta e improvável venda de decisão judicial.

A reportagem do matutino afirma que, de acordo a delação do multicriminoso Sergio Cabral – inexplicavelmente aceita e homologada – Toffoli teria recebido R$ 4 milhões para beneficiar prefeitos do Estado do Rio de Janeiro em processos no TSE.

Ninguém está acima da lei, nem mesmo um ministro do Supremo. E todos, até eles, podem ser escrutinados e investigados. Todavia, é preciso que isso se dê com critérios.

É por isso que afirmamos logo acima que a delação foi “inexplicavelmente aceita e homologada”. Tal adjetivação se justifica porque, como se sabe, Sergio Cabral foi condenado a mais de 300 anos, por inúmeros crimes. Ou seja, nessa situação, se pedirem para ele mugir, fará igual ou melhor que um boi. Se for preciso miar, será certamente o melhor dos gatinhos. Por essas e outras, não tem lógica alguma aceitar uma delação provinda desse tipo de cidadão, ainda mais nas condições em que se encontra.

Acresça-se ao ilogismo o fato de que, na qualidade de integrante do TSE, ministro Toffoli não poderia ter “vendido” decisão alguma, porque o tribunal é composto de 7 julgadores. Ou seja, ele representa apenas 14% da Corte. Nesse sentido, é uma conversa de leigo afirmar que o ministro teria vendido uma decisão.

Mas há mais. Quem conhece um mínimo de Brasília sabe que estas histórias, de gente dizendo que conhece beltrano e sicrano, são, infelizmente, rotineiras. No meio político, então, isso é lugar-comum. Dito isso, manda a prudência que não se deve dar ouvidos para algo assim. E se originada de alguém como o famigerado ex-governador, credibilidade alguma merece.

A delação

A delação de Sergio Cabral foi homologada por Edson Fachin em fevereiro de 2020, que autorizou a abertura de diversos inquéritos. Naquela época, Toffoli era presidente do Supremo. É preciso lembrar, ainda, que a Lava Jato do Rio de Janeiro já tinha certos agastamentos com o ministro, que antes integrava a 2a turma do Supremo Tribunal Federal.

Na delação firmada com a força-tarefa do RJ, Sergio Cabral teria dito, segundo o jornal Folha de S.Paulo, que os repasses indevidos envolvem o escritório da mulher de Toffoli, a advogada Roberta Rangel. A situação, neste ponto, é ainda mais descabida, uma vez que a advogada Roberta Rangel é reconhecida em Brasília, e não atua nas Cortes onde o ministro exerce a judicatura. Neste sentido, salta aos olhos a inverdade.

Manifestação

Para o jornal Folha de S.Paulo, o ministro Toffoli afirmou, por meio da assessoria, não ter conhecimento dos fatos mencionados e disse que jamais recebeu os supostos valores ilegais. Toffoli refutou a possibilidade de ter atuado para favorecer qualquer pessoa no exercício de suas funções.

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