
O professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP, é um dos debatedores do seminário Cidades, Clima e o Futuro do Brasil, que o DCM realiza em parceria acadêmica com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), com patrocínio do BNDES, nos dias 11 e 12 de novembro. Ele participa da mesa sobre governança metropolitana, na noite de 12 de novembro, às 20h30, com exposição do sociólogo Paulo Silvino Ribeiro, da FESPSP, e mediação da professora Desirèe Luíse Lopes Conceição.
Na live de sexta-feira (30), Cara falou do quarto mandato de Lula e dos nomes do novo governo. Foi quando a conversa chegou ao Rio de Janeiro que apareceu o tema que leva ao seminário: quem governa a metrópole.
Uma cidade-estado
Perguntado se o Rio precisa de intervenção federal permanente, Cara respondeu que não descarta a hipótese, mas que ela exigiria “uma análise muito estruturada e muito fria dos fatos” antes de qualquer ação política. A proposta dele é outra. “Eu defendo de fato o estabelecimento de uma cidade-estado ali, pegaria Rio e Niterói, para estabelecer uma gestão pública com maior pressão, mais estruturada e mais forte”, afirmou. Minutos antes já havia resumido a ideia: “fazer Rio de Janeiro e Niterói ser cidade e estado, como ocorre na Alemanha”. O desenho, disse, liberaria recursos “para o restante do Rio de Janeiro”, que “merece também maior atenção”. Para ele, o Rio “tem que ser muito relevante na República”.
É a pergunta da mesa de 12 de novembro aplicada a outra metrópole. Em São Paulo, 39 municípios e um governador dividem a mesma enchente, e o arranjo que coordena prefeituras, Estado e União é o que a CPI do Jardim Pantanal apontou como ausente.
As contas de São Paulo
Cara também voltou à prefeitura de São Paulo para falar de Fernando Haddad. “O Haddad salvou a prefeitura de São Paulo”, disse, ao lembrar a renegociação da dívida com o governo federal, uma articulação com Dilma Rousseff que “não foi fácil”. O ex-prefeito, na avaliação dele, “conseguiu sanar a prefeitura de São Paulo”, tarefa que comparou a sanear Nova York, e só falou disso “uns quatro anos depois que já tinha saído da prefeitura”.
No plano nacional, Cara vê “uma crise econômica agendada” para 2027 e apontou a autonomia do Banco Central como “um dos crimes mais graves que ocorreram no Brasil nos últimos anos em termos da soberania nacional”. O desafio do novo mandato, disse, é reduzir os juros; se a exportação agropecuária gerar excedente, “o Lula tem uma grande chance de fazer um grande mandato”.
Os municípios e a escola
Uma ouvinte perguntou se é possível sustentar um projeto nacional de transformação sem reconstruir a base nos municípios. “Intuitivamente eu diria que não”, respondeu Cara. O caminho, para ele, é “um ano e meio de um governo muito bom de articulação política” para melhorar as condições de disputar as prefeituras, “que hoje está muito ruim”.
A um professor da rede do Rio que pediu um projeto sério para a educação básica, Cara deu a resposta que o acompanha há vinte anos: “implementando o custo aluno-qualidade, que é um indicador que a gente coloca na Constituição, mas que vai estruturar o orçamento da educação e a gestão da educação”. Isso significa, explicou, salário e carreira para os professores, menos alunos por turma e “todas as escolas com aquilo que é necessário para os professores ensinarem, para os alunos aprenderem”. A precariedade, lembrou, já chegou à universidade: a Faculdade de Educação da USP “até agora está sem biblioteca”.
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O seminário
São duas noites, das 18h30 às 21h45, com quatro mesas de debate. Em 11 de novembro, a conta da adaptação aos eventos extremos e a relação entre plano diretor e clima, mesa de Teixeira e Bonduki, às 20h45. Em 12 de novembro, o financiamento dessa agenda, com o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, e a governança metropolitana, com o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP, e exposição do sociólogo Paulo Silvino Ribeiro, da FESPSP. Cada mesa tem mediação de professores da Escola.
O ponto de partida é uma constatação simples. A crise climática é global, mas a adaptação acontece na cidade, no plano diretor, no orçamento municipal e na coordenação entre prefeituras, Estado e União que as chuvas de cada verão põem à prova.
O seminário será realizado nos dias 11 e 12 de novembro de 2026, das 18h30 às 21h45, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), localizada na Rua General Jardim, 522, na Vila Buarque, em São Paulo.