Daniel Craig fala sobre Bond para o Diário

Na continuação da nossa série, o ator de Skyfall admite ser inescrupuloso como seu personagem

Daniel Craig manteve-se fiel a sua própria visão do Bond “clássico”, retornando para uma versão mais cruel e fria do ícone de Ian Fleming. “Bond é parte da mitologia da cultura moderna e você tem que provar que é valioso, e que não vai arruinar a marca. Mas esse é o desafio, é por isso que no fim eu queria o papel. Se você vai assumir Bond, tem que estar disposto a entrar na jogada e não deixá-la te consumir. Você tem que entrar na dele e começar a pensar um pouco como o próprio Bond. Você precisa ser um pouquinho implacável e não se distrair com o processo. Eu adoraria ser visto como alguém que trouxe algo especial para o legado que começou com Sean Connery.”

Craig foi criado em Chester, onde cresceu no pub de seu pai, Tim, um antigo oficial da Marinha. Sua mãe, Carol, era uma professora de arte. A lenda afirma que o jovem Daniel exibiu seu talento pela primeira vez fazendo caretas e provocando a clientela do bar de seu pai. Alguém certa vez lhe perguntou o que ele faria ao crescer e, sem hesitar, Daniel declarou: “Ser um ator!”

Após o divórcio dos pais, quando tinha apenas 4 anos, ele se mudou com a mãe para Liverpool, onde fez sua estréia nos palcos aos seis anos em uma produção escolar de Oliver! Acabou na Guildhall School of Music and Drama em Londres, assim como outros aspirantes a atores como Ewan McGregor e Joseph Fiennes. Como um iniciante, ele trabalhou como garçom e tornou-se um daqueles desenraizados como alguns personagens que interpretou. A necessidade de sobreviver fez dele inescrupuloso, Daniel confessa. Ele só não respondeu sobre um dos grandes mistérios de Operação Skyfall: se 007 teve, mesmo, experiências homossexuais na juventude, como insinua uma cena.

FOLHA CORRIDA

 CASINO ROYALE  [2006]

QUANTUM OF SOLACE  [2008]

SKYFALL [2012]

O que faz de Bond um ícone?

Craig – Seu espírito, sua independência… Houve uma crise de identidade na Inglaterra após a Segunda Guerra Mundial, com todo o país se refigurando, vendo o poder antes concentrado em nossa mão se esvaindo. E então surge esse personagem, que é bem inglês e bem charmoso, mas que ao mesmo tempo meio que diz “fodam-se” para o mundo inteiro. Acho que a essência do personagem é mais ou menos essa. Acho que foi isso o que o colocou na indústria cinematográfica há tantos anos, e isso que faz com que continue.

Você sempre foi fã dos filmes? Qual foi o melhor James Bond e quais são seus filmes favoritos dele?

Craig – Eu sou um grande fã dos filmes e vi todos eles. Acho que Sean Connery foi quem definiu o personagem e que ele é meu Bond preferido. Eu gosto particularmente de Moscou contra 007 por conta de Robert Shaw. Ele é o vilão, e ele é loiro, e o filme é bem visceral, real. Mas quando fui ao cinema pela primeira vez foi para assistir Viva e Deixe Morrer, com Roger Moore, e foi um filme fantástico. Se eu tivesse que escolher o melhor filme de todos, teria que dizer que é Goldfinger. Tem todo aquele clássico conflito entre o bem e o mal, entre Bond e Goldfinger, e o ótimo personagem Oddjob.

E qual você considera a melhor Bond girl de todos os tempos?

Craig – Minha favorita é Diana Rigg, em A Serviço Secreto de Sua Majestade.

Como decidiu que gostaria de atuar?

Craig – Era algo que eu adorava fazer desde a infância. Eu sempre quis me mudar para Londres. Sempre quis ser um ator. Tinha arrogância o suficiente para acreditar que não poderia ser nada mais. Eu adorava me vestir e me exibir! Vivíamos em Liverpool e minha mãe tinha amigos no teatro em minha irmã e eu passávamos muito tempo lá. Fiquei encantado e foi praticamente isso. Assistíamos peças e ou ficávamos na coxia, e eu sempre soube que era o que eu queria fazer. Eu sempre adorei atuar, e venho de uma família artística. Atuar sempre foi uma fonte de adrenalina para mim e faz com que você queira outros tipos de desafio.

Bond tem um estilo de vida cheio de aventuras. Você compartilha dessa característica?

Craig – Sim. Você deve se jogar na vida e se arriscar. Eu iria sugerir a todo mundo: façam o que quer que façam, que em algum momento do ano você precisa pegar uma carona em uma montanha russa ou fazer qualquer coisa desse tipo e balançar seu sangue, porque isso te acorda. Também faz com que perceba que é um mortal e que a vida deve ser aproveitada. Há pessoas malucas que pulam de aviões 20 vezes ao dia, e é porque estão procurando por uma droga. E a adrenalina é uma druga, mas você deve ser cuidadoso com ela. Você deve simplesmente aproveitar sua vida.

O que você acha particularmente atraente sobre Bond para um ator?

Craig – Há uma certa crueldade nele que eu adoro. Essa parte do personagem é bastante poderosa e chama atenção. Por mais que muitas pessoas ainda gostem dos elementos fantásticos e dos gadgets, gostaríamos de fazer com que Bond retornasse ao nível básico de força brutal e intensidade. Você deve perceber que esse cara é capaz de matar de um modo que os elementos fantasiosos não esmaguem as coisas a ponto de que o assassinato não pareça ser real. Em todos os Bonds há esse equilíbrio entre o realismo e o aspecto fantástico. Eu estava ansioso para dar retorno ao lado áspero do personagem.

O que interpretar Bond significa para você?

Craig – Eu olho para Bond como um desafio e não como uma missão divina. É tudo sobre convencer a audiência. Bond é um personagem brutal, violento e impiedoso a sua maneira. É um guerreiro solitário. É aí que está a mística e é isso que se deve recriar.

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