Datafolha: entorno de Lula vê vantagem com cautela e teme reação de Flávio Bolsonaro

Atualizado em 22 de maio de 2026 às 19:41
Lula Datafolha
O presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva vê efeito do caso Daniel Vorcaro na queda de Flávio Bolsonaro no Datafolha, mas avalia o resultado com cautela. A leitura interna é que parte dos eleitores que abandonaram o senador após a revelação das conversas com o banqueiro ainda pode retornar ao bolsonarista até a eleição. Com informações do Globo.

No levantamento divulgado nesta sexta-feira (22), Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Uma semana antes, os dois estavam empatados em 45%. A nova pesquisa foi a primeira feita após a repercussão integral dos diálogos entre o senador e o dono do Banco Master.

Segundo a avaliação da campanha petista, o voto que sai agora de Flávio Bolsonaro não migra automaticamente para Lula. A tendência, nesse diagnóstico, é que parte desse eleitorado fique por um período entre indecisos ou possa virar abstenção.

Aliados do presidente consideram que esse eleitor tem perfil “anti-Lula” e exigirá mais trabalho político para ser conquistado. Por isso, governistas não descartam que Flávio Bolsonaro recupere parte do terreno perdido, a depender da narrativa construída sobre sua relação com Vorcaro e sobre o filme “Dark Horse”, financiado com dinheiro do ex-dono do Master.

Flávio Bolsonaro tenta remediar a pressão criada com a crise interna do núcleo bolsonarista
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O caso também afetou a rejeição do senador. Segundo o Datafolha, o índice de eleitores que dizem não votar em Flávio Bolsonaro subiu de 43% para 46%. Lula aparece com rejeição de 45%, abaixo dos 47% registrados uma semana antes.

Para a campanha petista, pesou contra Flávio Bolsonaro a facilidade de identificação de mudanças em sua versão sobre a relação com Vorcaro. Antes de os áudios virem à tona, o senador tentava associar o caso Master ao governo Lula. Depois, passou a responder pela conversa em que pedia recursos para o filme sobre Jair Bolsonaro.

O PT entrou em modo de guerra digital contra Flávio Bolsonaro desde a divulgação dos áudios. A ofensiva nas redes é coordenada por Nicole Briones, jornalista que comandou a comunicação digital de Lula durante o período em que o petista esteve preso em Curitiba na Lava Jato.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!