De cada 4 americanos, 3 não apoiam ataques de Trump contra o Iraque

Atualizado em 2 de março de 2026 às 22:18
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Alex Wong/Getty

Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (2) indica que apenas um em cada quatro estadunidenses aprova os ataques dos Estados Unidos ao Irã, ofensiva que intensificou o conflito no Oriente Médio. O levantamento mostra ainda que cerca de metade da população considera que o presidente Donald Trump está inclinado demais a usar a força militar.

De acordo com os dados, 27% dos entrevistados disseram aprovar os ataques realizados em conjunto com Israel, enquanto 43% desaprovaram e 29% não souberam responder. Nove em cada dez participantes afirmaram ter ouvido falar, ao menos em parte, sobre a ofensiva iniciada na madrugada de sábado com um ataque surpresa que matou o líder do Irã.

A pesquisa foi concluída no domingo, antes de o Exército dos Estados Unidos anunciar as primeiras baixas na operação. Quatro militares morreram durante a campanha, o que desencadeou ataques retaliatórios com mísseis e drones por parte do Irã contra Israel e instalações militares estadunidenses na região.

Três jatos dos EUA foram derrubados em missões de combate; segundo os militares, os incidentes ocorreram após as aeronaves serem atingidas por engano pelas defesas aéreas do Kuwait.

O levantamento também revelou que 56% dos entrevistados acreditam que Trump, que ordenou ataques na Venezuela, Síria e Nigéria nos últimos meses, está excessivamente disposto a recorrer à força militar para promover interesses dos EUA. Entre os democratas, 87% compartilham dessa avaliação, assim como 60% dos independentes e 23% dos republicanos.

Embora 55% dos republicanos tenham declarado aprovar os ataques e 13% desaprovar, 42% dentro do próprio partido afirmaram que estariam menos propensos a apoiar a campanha caso ela resultasse em “tropas dos EUA sendo mortas ou feridas no Oriente Médio”. A preocupação com eventuais baixas militares aparece como um fator relevante para a sustentação política da ofensiva.

Destroços do caça não identificado que caiu em território do Kuwait. Foto: reprodução

O índice de aprovação presidencial de Trump caiu para 39%, um ponto percentual abaixo da sondagem anterior realizada entre 18 e 23 de fevereiro. O conflito ocorre três dias antes das primeiras primárias das eleições de meio de mandato, que definirão se os republicanos manterão maioria no Congresso pelos próximos dois anos.

Apesar da escalada internacional, a economia continua sendo a principal preocupação do eleitorado, segundo pesquisas da Reuters/Ipsos. Cerca de 45% dos entrevistados disseram que estariam menos inclinados a apoiar a campanha contra o Irã caso os preços da gasolina ou do petróleo subam nos Estados Unidos. Entre republicanos, esse percentual é de 34%; entre independentes, 44%.

No mercado internacional, o petróleo Brent registrou alta de 10%, alcançando cerca de 80 dólares o barril em negociações de balcão no domingo. Analistas apontam que os preços podem chegar a 100 dólares caso o conflito se prolongue.

Os ataques foram lançados após o fracasso das negociações em Genebra sobre o programa nuclear iraniano. Washington exige que o Irã abandone todo o enriquecimento de urânio, alegando que Teerã busca desenvolver uma bomba nuclear. O governo iraniano nega a intenção e afirma que o objetivo é produzir combustível para usinas de energia atômica.

A pesquisa indica ainda que cerca de metade dos entrevistados, incluindo um terço dos democratas, afirmou que estaria mais propensa a apoiar os ataques caso eles levassem o Irã a abandonar o programa nuclear. No domingo, Trump declarou que a nova liderança iraniana deseja dialogar e que ele concordou com a possibilidade de conversa, segundo entrevista à revista The Atlantic.

O levantamento foi realizado online com 1.282 adultos em todo o país e possui margem de erro de três pontos percentuais.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.