De Cuba, a candidata a vacina contra covid-19 que não está na mídia

Publicado originalmente no Comitê Carioca Solidariedade a Cuba

Por Carmen Diniz

Agente de saúde manuseia possível vacina para Covid-19

A  candidata cubana à vacina contra a Covid-19 é a única a ser testada e fabricada na América Latina. Pouca gente sabe disso porque a mídia oficial insiste em seu complexo de “vira-latas” (conceito do escritor Nelson Rodrigues) que acomete nossa imprensa e parte da população.   Dessa forma se divulga a candidata à vacina de Oxford, a de outros países ‘desenvolvidos’ mas se invisibiliza a pesquisa cubana.

No início deste mês, representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestaram confiança na candidata cubana Soberana 01 declarando a disposição da instituição de criar condições para facilitar o acesso da vacina a outros países.

Ao mesmo tempo o Diretor Geral da OMS Dr. Tedros Adhano reiterou a necessidade de garantir acesso universal às vacinas contra a Covid-19 assim que estejam disponíveis.  A preocupação da OMS é clara no sentido de garantir a disponibilidade da vacina às populações.

Com esse objetivo  a OMS lançou a iniciativa COVAX  na qual  cerca de 170 países poderão ter acesso ao medicamento (com exceção dos EUA , uma vez que o governo daquele país se recusou a se somar ao projeto).  Os representantes do Instituto Finlay de Vacinas de Cuba  apresentaram à OMS e à OPAS (Organização Panamericana de Saúde) os avanços da candidata Soberana 01  cujos ensaios clínicos em humanos se iniciaram em 24 de agosto mostrando resultados animadores. Comprovada sua eficácia, a vacina estará disponível para o Fundo Rotatório da OPAS. O  Fundo é uma instituição da OPAS do qual Cuba participa,  para aquisição de vacinas e existe há mais de 40 anos. Será através do Fundo que a vacina, qualificada, estará disponível com a vantagem de ser produzida na região.

Este mês a candidata à vacina cubana conclui a Fase 1 e entra na etapa seguinte com uma amostragem de  676 voluntários. Todas as etapas devem estar concluídas em janeiro de 2021 e a perspectiva é que em fevereiro já esteja disponível para os 11 milhões de cubanos.

Após este período será disponibilizada aos povos da região e do mundo por intermédio da OMS e da OPAS.

Os ensaios clínicos continuam em Cuba. Esta semana o segundo grupo de voluntários entre 60 e 80 anos recebeu a vacina com um rígido controle das práticas médicas: recebem duas doses no período de 28 dias.

Neste espaço de tempo os voluntários realizam 4 exames de sangue para análise em laboratórios clínicos e de imunologia para medir a quantidade de anticorpos com a finalidade de avaliar se a vacina é segura e eficaz para só então ampliar o grupo de pessoas.

Na primeira semana de setembro os representantes do Instituto Finlay de Vacinas se reuniram virtualmente com a OMS e OPAS onde asseguraram que uma vez concluída a pesquisa, a empresa BioCubaFarma  garante capacidade suficiente para proteger toda a população cubana da pandemia do Coronavirus.

Seguindo em busca de uma vacina, a humanidade aguarda ansiosa por uma solução para essa pandemia que tanto castiga os povos. Cuba demonstra mais uma vez uma capacidade surpreendente na ciência. Um país pobre, com poucos recursos naturais e absurdamente bloqueado, criminosamente bloqueado  pelo país mais poderoso do planeta.   Ali, ninguém se rende.

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