De enchentes a Bolsa Família: checagem aponta as mentiras de Flávio no 1º bloco do debate

Atualizado em 23 de outubro de 2026 às 22:30
Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) durante o debate da Globo. Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) distorceu dados sobre segurança pública, renda, Bolsa Família, juros e a resposta às enchentes no Rio Grande do Sul durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira (23). Um levantamento de checagens classificou 22 declarações do candidato como falsas ou parcialmente falsas, com base em dados públicos, leis e informações de órgãos federais.

Ao acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter abandonado os gaúchos após as enchentes de 2024, Flávio ignorou medidas federais adotadas no estado. O Auxílio Reconstrução, de R$ 5,1 mil, alcançou 426,9 mil famílias e somou cerca de R$ 2,2 bilhões, além da suspensão de parcelas da dívida estadual com a União.

O senador também afirmou que Lula não entregou “nem 30%” do que prometeu ao Rio Grande do Sul. Não há dado apresentado que sustente esse percentual. Os balanços federais incluem transferências, crédito, obras e alívio da dívida, enquanto movimentos de atingidos cobram rapidez na entrega de moradias e reparações.

Na área de segurança, Flávio disse que o governo “liberou geral nas fronteiras” e que a criminalidade voltou “com força”. A Polícia Federal realizou 482 operações em regiões de fronteira em 2025 e prendeu 663 pessoas, enquanto o Decreto 11.765, de 2023, determinou reforço das Forças Armadas no combate a crimes na faixa fronteiriça.

Os números nacionais também contrariam a afirmação de que a criminalidade cresceu de forma generalizada. As mortes violentas intencionais caíram de 47.963 em 2022 para 40.775 em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Feminicídios, estelionatos e mortes por intervenção policial, porém, registraram alta no período.

Acompanhe a checagem do debate em tempo real no DCM:

Dados sobre renda, juros e programas sociais

Flávio atribuiu a Bolsonaro a criação do benefício mínimo de R$ 600 do Bolsa Família. O valor vigorou de agosto a dezembro de 2022, após a aprovação da Emenda Constitucional 123. O projeto de Orçamento enviado pelo governo Bolsonaro para 2023 previa R$ 400, e a Lei 14.601, sancionada por Lula, estabeleceu o piso permanente de R$ 600.

Ao dizer que o poder de compra dos trabalhadores foi destruído, o senador deixou de considerar a renda real registrada pela PNAD Contínua. O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto de 2026, alta de 3,7% em relação a um ano antes e cerca de 14% acima do fim de 2022, já descontada a inflação.

Na discussão sobre endividamento, Flávio associou diretamente os juros das dívidas bancárias à taxa básica da economia. A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, que tem autonomia legal, e caiu de 15% para 13,75% em 2026. As taxas cobradas de consumidores variam conforme a modalidade de crédito, o risco e as condições dos contratos; em agosto, o crédito livre para famílias custava, em média, 61,7% ao ano.

O candidato ainda afirmou que a meta de universalização do saneamento havia sido adiada para depois de 2050. A legislação mantém a previsão de atender 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033. Estudos apontam risco de atraso no cumprimento da meta, mas não mudança no prazo legal.

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