De Glória Pires a Leo DiCaprio: o Oscar como ele foi. Por Luísa Gadelha.

Atualizado em 29 de fevereiro de 2016 às 10:01
Enfim, um Oscar para Leo
Enfim, um Oscar para Leo

Por dois anos consecutivos, atores e atrizes negros não são indicados ao Oscar. O fato provocou um boicote por parte de alguns artistas, liderados pelo ator Will Smith e pelo diretor Spike Lee, cuja hashtag, #OscarSoWhite, circulou na internet desde que as indicações foram divulgadas.

O ator Chris Rock, negro, que apresentou o Oscar esse ano, começou a cerimônia discursando sobre a oportunidade de atores negros em Hollywood. “Leonardo DiCaprio tem papéis bons todos os anos, mas e os negros?”, se perguntou. Apesar de ter acertado em alguns comentários feitos com bastante acidez, como quando se referiu à premiação como “White People Choice Awards”, Chris Rock acabou dando alguns escorregões com piadas sem graça sobre a representatividade negra na Academia.

Disse que a atriz negra Jada Pinkett Smith, que também participou do boicote, por exemplo, nem sequer havia sido convidada para a cerimônia. Também comentou que não seria sexismo perguntar às atrizes o que elas estavam vestindo, ao invés de indagar sobre seus papéis. O discurso controverso de Chris Rock provavelmente ainda dará muito o que falar nesse período pós-Oscar.

Muitos dos resultados já eram esperados: o ótimo Mad Max: Estrada da Fúria, um dos melhores filmes de 2015, levou 6 estatuetas (Figurino, Direção de arte, Maquiagem e penteado, Montagem e Edição e Mixagem de som).

Alicia Vikander, que está em dois dos filmes indicados (A Garota Dinamarquesa e Ex Machina), levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu papel em A Garota Dinamarquesa. A atriz sueca demonstrou bastante versatilidade em ambos os papéis. Comentou-se, aliás, que o seu papel poderia ter sido indicado a melhor atriz, e não simplesmente melhor atriz coadjuvante.

Alvo dos memes mais divertidos dos últimos dias, Leonardo DiCaprio finalmente levou a estatueta de melhor ator, após cinco indicações, por sua atuação em O Regresso. Apesar de Eddie Radmayne – vencedor do ano passado pela interpretação de Stephen Hawking – estar sensacional no seu papel em A Garota Dinamarquesa, interpretando uma das primeiras pessoas que passaram pela cirurgia de mudança de sexo, na década de 1920, estava mais do que na hora de DiCaprio ganhar o prêmio – alguns dizem que foi pelo conjunto da obra; outros, que foi um prêmio de consolação.

A grande surpresa da noite foi o prêmio de melhor filme para Spotlight: Segredos Revelados. O Regresso era o favorito, mas acabou levando a estatueta de melhor diretor, pelo segundo ano seguido. O diretor mexicano Iñarritu foi contemplado ano passado por Birdman.

Visualmente, O Regresso é deslumbrante, com paisagens de tirar o fôlego, e uma grande história de vingança e superação. Mas Spotlight também merece ser visto: conta a história real do escândalo de crianças molestadas e encobertas pela Igreja Católica e desmascarada por uma equipe de repórteres.

No Brasil, Glória Pires dominou os memes: breve e sucinta, a atriz, comentarista da Globo, parecia não estar informada sobre os filmes, soltando observações como “bacana”, “interessante”, “não sou capaz de opinar”, ou “não assisti”.