De Miami, Flávio pede mobilização para eleger Marinho presidente do Senado

Atualizado em 30 de outubro de 2026 às 22:32
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, acionou o STF pelo vazamento dos áudios do filho de Bolsonaro com Vorcaro
Os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e pediu que seus eleitores pressionem os parlamentares a votar no aliado. Em live feita de Miami, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (30), o derrotado por Lula (PT) na eleição presidencial apontou o Congresso como o espaço para organizar a oposição ao governo.

“A nossa trincheira, neste momento, será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho, para a presidência do Senado Federal”, afirmou. Flávio apresentou a eleição do aliado como forma de “impedir ou retardar o grande caos” que, segundo ele, o governo Lula provocaria no país.

Marinho reúne duas funções nessa articulação: lidera a oposição no Senado e coordenou a campanha presidencial de Flávio. Agora, é a aposta do aliado para enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP) pelo comando da Casa. O atual presidente busca a recondução e tem o apoio de Lula, que aposta na relação com ele para aprovar projetos no próximo mandato.

O cargo concentra atribuições que afetam tanto o governo quanto o Judiciário. Cabe ao presidente do Senado definir a pauta das sessões da Casa e do Congresso e receber pedidos de impeachment contra ministros do STF. O comando da agenda influencia o andamento das propostas, enquanto um eventual afastamento de ministro depende de julgamento e votação pelos senadores.

Marinho também atuou na interlocução entre a campanha bolsonarista e o Supremo. O senador se reuniu com seis ministros durante a disputa eleitoral. Dois deles relataram ao veículo que Marinho afastou a ideia de uma revanche generalizada contra a Corte em um eventual governo Flávio, mas disse que a atuação por impeachment seria concentrada em Alexandre de Moraes.

A disputa será decidida em votação secreta em 1º de fevereiro de 2027, com exigência de pelo menos 41 votos. O PL deverá ter a maior bancada da Casa, com 29 dos 81 integrantes, ressalvadas possíveis mudanças partidárias e outras alterações na composição.

Mesmo que obtenha os votos dos 29 integrantes previstos para o PL, Marinho precisará de pelo menos 12 apoios de fora do partido. Foi sobre os senadores eleitos por sua base que Flávio cobrou pressão na live: “Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério Marinho para a presidência do Senado”.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!