De Musk a Bill Gates, passando por Clinton, a lista dos poderosos citados nos arquivos Epstein

Atualizado em 1 de fevereiro de 2026 às 17:24
Clinton e Epstein nos tempos de tráfico sexual

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reuniram milhões de páginas relacionadas às investigações sobre Jeffrey Epstein e passaram a expor, de forma detalhada, nomes de empresários, políticos e assessores que mantiveram contato com ele ao longo dos anos.

Veja os principais nomes:

Andrew Mountbatten-Windsor

Conhecido anteriormente como príncipe Andrew, duque de York, é irmão do rei Charles III. Seu nome aparece centenas de vezes nos documentos, incluindo trocas de e-mails privados com Epstein. Ele é citado em convites para encontros, ofertas de apresentação a mulheres jovens e registros de visitas. Mountbatten-Windsor é acusado por Virginia Giuffre de ter mantido relações sexuais com ela quando tinha 17 anos, o que ele nega. Em 2025, perdeu títulos e funções oficiais na monarquia britânica.

Elon Musk

Fundador da Tesla, da SpaceX e proprietário da plataforma X, Musk aparece em e-mails de 2012 e 2013 que tratam de possíveis visitas à ilha particular de Epstein no Caribe. Os documentos não confirmam que essas visitas tenham ocorrido. Musk afirmava que nunca teve contato com Epstein. “Estarei na região das Ilhas Virgens Britânicas/St. Barth durante as festas de fim de ano. Há alguma época boa para visitar?”, perguntou Musk. Dois dias depois, Epstein respondeu: “O início de 2014 seria um bom momento. Sempre há espaço para você.”

Richard Branson

Empresário britânico e fundador do conglomerado Virgin Group, Branson trocou diversos e-mails com Epstein após a condenação dele em 2008 por crimes sexuais na Flórida. Em uma mensagem de 2013, convidou Epstein para sua ilha particular no Caribe. Em nota, a Virgin afirmou que não houve irregularidade, que os contatos foram limitados a ambientes coletivos ou de negócios e que Branson rompeu qualquer relação após surgirem acusações mais graves.

Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos, Trump aparece milhares de vezes nos arquivos em referências a eventos sociais e contatos com Epstein nos anos 1990 e início dos 2000, quando ambos circulavam no mesmo ambiente empresarial e social em Nova York e na Flórida. Ele é citado em uma acusação de abuso sexual contra uma adolescente de 13 ou 14 anos. O episódio teria ocorrido no estado de Nova Jersey e foi relatado por uma amiga da suposta vítima. A acusação descreve que a adolescente foi agredida por Trump enquanto fazia sexo oral.

Steven Tisch

Coproprietário do time New York Giants e produtor vencedor do Oscar por “Forrest Gump”, Tisch é citado mais de 400 vezes nos documentos. E-mails mostram ofertas de Epstein para colocá-lo em contato com mulheres adultas. Tisch reconhece que conheceu Epstein, mas afirma nunca ter visitado sua ilha e diz lamentar qualquer associação com ele.

Bill Clinton

O último lote dos arquivos trouxe à tona fotografias inéditas que mostram o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton ao lado de Epstein. Entre os materiais divulgados está uma imagem em que Clinton aparece sem camisa em uma banheira de hidromassagem, acompanhado de uma pessoa descrita por um funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos como vítima de abuso sexual atribuído a Epstein. Os documentos também incluem trocas recentes de e-mails que apontam comunicações frequentes entre Ghislaine Maxwell, atualmente presa por tráfico sexual, e integrantes da equipe de Clinton entre 2001 e 2004. Foi nesse mesmo período que Bill Clinton viajou com assessores no avião particular de Epstein ao menos 16 vezes, segundo os registros agora tornados públicos.

Bill Gates

Em um dos registros, datado de 18 de julho de 2013, Epstein relata alegações envolvendo Gates, incluindo a afirmação de que o fundador da Microsoft teria adquirido DST, doença sexualmente transmissível, após relações com “garotas russas. Epstein ainda afirma que Gates solicitou a exclusão de mensagens relacionadas ao episódio e pedido antibióticos que deveriam ser entregues de forma secreta à sua então esposa, Melinda Gates.

Epstein e Gates (ao centro): DST de “garotas russas”

Casey Wasserman

Presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, Wasserman aparece em trocas de mensagens com Ghislaine Maxwell, associada próxima de Epstein. Os e-mails têm tom pessoal e foram enviados anos antes da condenação de Maxwell. Wasserman declarou que não teve relação pessoal ou comercial com Epstein e que se arrepende da correspondência com Maxwell.

Ehud Barak

Primeiro-ministro de Israel entre 1999 e 2001 e ex-ministro da Defesa, Barak aparece com frequência nos documentos, que indicam visitas regulares à residência de Epstein em Nova York e viagens em seu avião particular, inclusive após a condenação de 2008. Barak admite o contato, mas afirma nunca ter presenciado comportamentos ilegais.

Howard Lutnick

Atual secretário de Comércio dos Estados Unidos no governo Donald Trump, Lutnick é citado em registros que indicam uma visita à ilha de Epstein com a esposa e os filhos em 2012. Os documentos também mostram encontros sociais e trocas de mensagens sobre assuntos imobiliários. O Departamento de Comércio afirma que as interações foram limitadas, sempre na presença da família, e que Lutnick nunca foi acusado de irregularidades.

Sergey Brin

Bilionário e um dos criadores do Google, Brin aparece em e-mails do início dos anos 2000 que tratam de convites para encontros sociais com Epstein e Ghislaine Maxwell em Nova York, antes de Epstein ser publicamente acusado de crimes sexuais. Não há indicação de envolvimento posterior nem resposta oficial da empresa aos documentos.

Steve Bannon

Ex-assessor estratégico de Donald Trump, Bannon trocou centenas de mensagens com Epstein, inclusive pouco antes da prisão dele em 2019. As conversas abordam política, viagens e um possível documentário que poderia ajudar a reconstruir a imagem pública de Epstein. Bannon não comentou o conteúdo divulgado.

Steve Bannon e Jeffrey Epstein se reúnem nos EUA, em foto de arquivo do pedófilo. (Imagem: Reprodução)

Miroslav Lajcak

Ex-ministro das Relações Exteriores da Eslováquia e ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Lajcak atuava como assessor de segurança nacional quando teve comunicações com Epstein reveladas. Após a divulgação, renunciou ao cargo. Ele afirma que os contatos ocorreram no contexto de suas funções diplomáticas e que não cometeu irregularidades.

Os documentos integram a última grande liberação de arquivos do caso Epstein, morto em 2019 em uma prisão de Nova York enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. O Departamento de Justiça afirma que parte do material permanece sob sigilo para proteger vítimas e investigações em andamento.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.