De olho em Tereza Cristina, Flávio Bolsonaro leva um “não” do PP

Atualizado em 30 de julho de 2026 às 22:03
Flávio Bolsonaro Tereza Cristina
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A cúpula do PP rechaçou a possibilidade de liberar Tereza Cristina para disputar a Vice-Presidência na chapa de Flávio Bolsonaro. Dirigentes afirmam que a decisão de manter o partido neutro na eleição presidencial já está tomada e não demonstram disposição para reabrir a negociação com o PL.

O posicionamento impõe um novo revés à tentativa de Flávio de atrair o Centrão. Em reunião realizada na quarta-feira (29), seis dos oito integrantes da direção do Progressistas votaram pela neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto, segundo a coluna de Igor Gadelha, Carolina Nogueira e Gustavo Zucchi no Metrópoles.

A estratégia está ligada aos acordos regionais do partido e aos acenos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirigentes avaliam que Lula não criaria obstáculos à tentativa de reeleição de Ciro Nogueira ao Senado pelo Piauí nem prejudicaria os interesses da sigla em outros estados considerados prioritários.

A resistência surgiu horas depois de Tereza Cristina indicar a aliados ter aceitado o convite de Flávio. A eventual composição, porém, sempre dependeu da aprovação do PP e da Federação União Progressista, formada com o União Brasil.

Em nota, a senadora adotou uma versão mais cautelosa. Tereza Cristina confirmou que se reuniu com Flávio na quarta-feira e discutiu pela primeira vez a vaga de vice, mas afirmou que nenhuma decisão havia sido tomada. “Qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais”, declarou.

Uma regra interna do PP também dificulta a manobra. Dirigentes lembram que a convocação de uma convenção partidária exigiria antecedência mínima de oito dias, enquanto o prazo da Justiça Eleitoral para a realização das convenções termina em 5 de agosto. Aliados de Flávio alegam que a norma interna poderia ser contornada.

A movimentação deixa Flávio novamente sem a garantia de um vice do Centrão. Mesmo que Tereza Cristina esteja disposta a conversar, a direção de seu partido continua fechando a porta para a aliança e priorizando uma neutralidade que preserva as pontes com Lula.

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