De olho na cadeira de Bolsonaro, Doria diz que “bandido vai para o cemitério”. Por Donato

Doria e Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Na solenidade de inauguração do programa “Rodovias mais seguras”, o governador João Doria deu sua contribuição ao bangue-bangue que cresce a cada dia no país.

Com sua pompa costumeira, Doria enfatizou a entrega de 5 mil espingardas calibre 12 para uso nas estradas e nas cidades.

“Diante de qualquer ameaça à população, risco de morte e reagir, ele vai para o cemitério. Portanto em São Paulo a partir de agora: imobilização do bandido que estiver armado, e se ele ainda assim reagir, ele não vai para a delegacia nem para a prisão, ele vai pro cemitério”, declarou.

Está autorizado o uso dessas máquinas mortíferas nas 24 horas do dia (antes a polícia só podia utilizar esse tipo de arma durante a noite nas ocorrências chamadas pelo serviço 190).

A ‘12’, como é popularmente conhecida, é “Uma arma com maior chance de produzir uma desgraça”, como afirmou o coronel da reserva Adilson Paes de Souza.

“Todos os policiais do estado estão aptos para utilizar essa arma? O balote [tipo de munição], se atingir uma pessoa, pode até mutilar e atravessar uma lataria de carro. De todas as armas que conheci na polícia, a calibre 12 é a que mais me inspirava medo”, disse o coronel em entrevista.

Sem nada para apresentar como resultado de sua ‘gestão’ relâmpago na prefeitura, Doria começa seu governo com discurso – e práticas – à la Maluf ou Fleury.

Diante de uma população amedrontada, faz afirmações sobre tomada de medidas que nem mesmo são de sua alçada, como a redução da maioridade penal.

Esteja certo, leitor, Doria já está em campanha presidencial. Bolsonaro também deu o start quatro anos antes (viajando ‘despretensiosamente’ pelo país com as despesas pagas com verba de gabinete, sempre bom lembrar).

Essa corrida armamentista entre Jair Bolsonaro (que hoje irá assinar o decreto que afrouxa as regras para a posse de armas), Wilson Witzel (o governador do Rio que estava ao lado dos milicianos que rasgaram a placa com o nome de Marielle Franco e ontem ganhou de presente um quadro com seu rosto feito com balas de fuzil durante a posse do novo comandante do Bope) e João Doria não tem como proporcionar um país mais justo, menos desigual, menos violento.

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo (727 mil detentos segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias) e a solução proposta por esse pessoal é: se prender não está resolvendo, vamos matar.

Talvez a ideia seja a de manter o país na liderança de outro ranking.

Somos o país com o maior número de mortes por arma de fogo no mundo (43.200 em 2018, dados da Pesquisa Global de Mortalidade por Armas de Fogo do Institute for Health Metrics and Evaluation).

Estamos na frente dos Estados Unidos. Chupa, Trump.

As ‘regras’ para a matança que irá se avolumar nos próximos anos serão, sem sombra de dúvidas, as mesmas que valem para prender: majoritariamente voltadas contra os mais pobres, os negros, os ‘suspeitos’ de sempre. Com direito a maior probabilidade de atingidos por ‘balas perdidas’ (nunca entendi essa expressão).

Seja com Doria, Bolsonaro ou qualquer outro populista terrorista, torcer para dar certo significa aprofundar um cenário já sombrio o suficiente.

Em vez de apostar em educação e distribuição de renda, entregam armas. Agora vai, hein.

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