De símbolo de mudança a alvo do movimento red pill: o que é a tatuagem de borboleta

Atualizado em 19 de abril de 2026 às 9:14
Tatuagem de borboleta feita pela tatuadora Jessica Huang – Acervo pessoal

A tatuagem de borboleta passou a ser alvo do movimento red pill, que difunde ideias sobre papéis de gênero. Segundo esse grupo, mulheres com o símbolo no corpo seriam promíscuas, emocionalmente instáveis e “sem valor”, classificação contestada por especialistas ouvidos na reportagem. Com informações da Folha de S.Paulo.

Tatuadoras, mulheres tatuadas e uma pesquisadora afirmam que esse tipo de leitura não tem base e se enquadra como discurso misógino. O símbolo, segundo elas, possui significados variados e não pode ser reduzido a rótulos.

A socióloga Beatriz Patriota explica que a imagem da borboleta acompanha a prática da tatuagem no Ocidente desde seu início. No Brasil, o desenho ganhou popularidade nos anos 1990, com a difusão em novelas e músicas.

“A borboleta é um dos símbolos colados a essa moda de estetização dos corpos”, afirma Patriota. Ela destaca que o desenho foi associado à feminilidade e à delicadeza, além de representar liberdade e transformação por causa da metamorfose do inseto.

Tatuagem de borboleta – Imagem: Reprodução

A pesquisadora também afirma que a tatuagem é uma construção social e historicamente sujeita a estigmas. Segundo ela, é comum que determinados símbolos sejam associados a estereótipos, como ocorreu com a figura do palhaço em contextos policiais.

A tatuadora Jessica Huang afirma que o significado de uma tatuagem é subjetivo e varia conforme a experiência individual. Segundo ela, “e não cabe aos outros tachar e julgar o caráter de alguém com base numa tatuagem”. Em seu estúdio, o desenho da borboleta é recorrente entre mulheres de diferentes idades.

Para algumas pessoas, o símbolo está ligado a experiências pessoais. A médica Renata Gregorio afirmou que fez uma tatuagem em homenagem a uma amiga e explicou: “Simboliza a liberdade dela indo em direção ao girassol, que representa luz, acolhimento e paz”. Ela também disse: “Minha tatuagem é sobre um amor que não acaba, mas muda de forma”.

A circulação do significado negativo foi associada a influenciadores da chamada “machosfera”. Segundo relatos, após essas declarações, usuários passaram a fazer comentários críticos em redes sociais e questionar mulheres sobre a presença da tatuagem. Em resposta, algumas mulheres passaram a adotar o símbolo como forma de resistência, como afirmou uma delas: “Ela mostra nossa liberdade, o poder que temos sobre o nosso próprio corpo e carimba nossa autonomia como mulher na sociedade”.