Decepcionado e sem apoio, Trump diz considerar “seriamente” tirar EUA da Otan

Atualizado em 1 de abril de 2026 às 8:34
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Evan Vucci/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que considera “seriamente” retirar seu país da Otan, aprofundando a crise entre a Casa Branca e aliados europeus em meio à guerra contra o Irã. A declaração foi dada em entrevista ao jornal britânico The Telegraph e representa, até agora, o sinal mais forte de que o governo estadunidense já não vê a Europa como parceira confiável em matéria de defesa.

Ao comentar o futuro da presença dos Estados Unidos na aliança militar, Trump disse que a permanência do país deixou de estar apenas em debate e passou a ser vista como algo ainda mais grave. “Sim, eu diria que isso está em um nível além da reconsideração (…) Eu nunca fui convencido pela Otan. Sempre soube que eram um tigre de papel, e Vladimir Putin também sabe disso, aliás”, afirmou.

A fala ocorre após semanas de irritação do presidente com países da Otan que, segundo ele, se recusaram a ajudar Washington na reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo fechada pelo Irã no início da guerra.

Donald Trump em reunião na Otan. Foto: reprodução

Trump também reclamou da falta de apoio automático dos aliados em um momento de confronto militar liderado pelos Estados Unidos. Segundo o texto, ele avaliou que os parceiros da Otan não demonstraram disposição para agir quando Washington precisou. O presidente ainda usou o caso para ampliar as críticas à própria lógica da aliança e sugerir que o peso militar segue concentrado nos Estados Unidos, enquanto outros membros resistem a dividir custos e riscos.

A reação britânica veio poucas horas depois. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, voltou a defender a aliança e afirmou: “A Otan é a aliança militar mais forte que o mundo já viu, ela nos manteve seguros durante décadas”. Ao mesmo tempo, procurou marcar distância da guerra em curso contra o Irã.

“A guerra do Irã não é nossa guerra e não seremos arrastados para ela”, declarou. Starmer também informou que o Reino Unido vai liderar nesta semana uma reunião de países interessados em contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz.

O desgaste entre Washington e seus aliados se ampliou depois que o secretário de Estado, Marco Rubio, também atacou a relação dos Estados Unidos com a Otan. Segundo o texto, ele afirmou que a aliança virou uma “via de mão única” e defendeu reexaminar o papel do país no bloco após o fim do conflito com o Irã.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.