Decisão de Moraes leva aliados de Flávio a apostar no isolamento de Michelle

Atualizado em 16 de julho de 2026 às 0:00
Flávio Bolsonaro segurando quadro com fotografia de Jair Bolsonaro em ato do PL
Flávio Bolsonaro segurando quadro com fotografia de Jair Bolsonaro em ato do PL no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Articuladores da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam usar a proibição de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para ampliar a autoridade política do filho e reduzir a influência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na disputa de 2026. Com informações de Folha de S.Paulo.

Moraes vetou o contato de Flávio com o pai por 90 dias, período que alcança a fase posterior ao primeiro turno da eleição. Aliados do senador avaliam que a restrição ocorreu logo depois de Jair Bolsonaro divulgar uma carta em que afirma confiar no filho e o chama de seu “porta-voz”, o que daria peso à última orientação pública do ex-presidente antes do novo bloqueio de comunicação.

A equipe de Flávio tenta reverter a decisão e aposta em um pedido da OAB ao Supremo. O veto às visitas ocorreu após o senador divulgar a carta em transmissão nas redes sociais no sábado (11), episódio que Moraes classificou como violação das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

A disputa interna no bolsonarismo ocorre em meio a sinais negativos para o senador nas pesquisas. No primeiro levantamento Genial/Quaest após Michelle publicar um vídeo em que disse ter sido maltratada por Flávio, Lula (PT) apareceu com 45% contra 37% do senador em uma simulação de segundo turno; a rejeição de Flávio chegou a 57%, a maior entre os pré-candidatos testados.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de julho

Carta e visitas expõem disputa por comando político

O monitoramento da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro feito pela Polícia Militar registra que Flávio esteve com o pai ao menos 26 vezes entre 27 de março e 17 de junho. O senador tinha autorização para visitá-lo em dias específicos, tanto como filho quanto como advogado do ex-presidente.

Aliados de Flávio dizem que a carta, somada à proibição de visitas, permite ao senador conduzir decisões da campanha sem buscar aval constante de Jair Bolsonaro. O grupo afirma que palanques estaduais, alianças nacionais e pontos do programa de governo já foram definidos, o que reduziria o impacto da ausência do ex-presidente nas articulações.

A leitura do entorno do senador é que o isolamento de Jair Bolsonaro também afasta Michelle da disputa por influência. Embora a ex-primeira-dama ainda tenha acesso ao ex-presidente, aliados de Flávio afirmam que ela não recebeu autorização para falar politicamente em nome dele, ao contrário do senador.

Interlocutores de Michelle avaliam que ela já expôs suas posições, estratégias e apoios para 2026 e não pretende se envolver mais diretamente na disputa nacional. Após a saída dela do PL Mulher, integrantes de sua equipe demitida criaram o perfil “Imparáveis MB” no Instagram para divulgar novidades do movimento ligado à ex-primeira-dama.

Em participação no Flow Podcast nesta quarta-feira (15), Flávio disse que não mantém relação com Michelle e afirmou que não esperava o vídeo com críticas. “Com toda a franqueza, hoje em dia, eu não tenho relação com ela [Michelle]. Ainda mais agora que eu estou proibido de falar com meu pai. Eu ia lá na casa dele de vez em quando”, afirmou o senador, acrescentando que está disposto a dialogar e que “precisa de todo mundo”.

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