Decisão dos EUA sobre PCC e CV preocupa instituições financeiras

Atualizado em 28 de maio de 2026 às 22:16
Ilustrativa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

A classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos gerou preocupação entre agentes do mercado financeiro e integrantes do setor produtivo brasileiro. A avaliação é que a medida, que entra em vigor em 5 de junho, pode trazer efeitos indiretos para empresas, bancos, fundos de investimento e instituições que mantenham relações com o sistema financeiro norte-americano. Com informações do Globo.

Pela legislação dos Estados Unidos, empresas ou pessoas que realizem negócios, movimentações financeiras ou prestação de serviços para grupos classificados como terroristas podem sofrer punições criminais. O alcance da regra também pode atingir operações indiretas envolvendo estruturas ligadas às facções, mesmo sem vínculo direto com atividades criminosas.

O receio ganhou força após investigações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo apontarem a infiltração do PCC em diversos setores da economia. As apurações identificaram atuação do grupo em áreas como combustíveis, fintechs, fundos de investimento imobiliário e indústria petroquímica.

Fontes do mercado financeiro afirmam que não há expectativa de retirada imediata de investimentos estrangeiros do Brasil, mas apontam aumento do “escrutínio regulatório” e maior rigidez nos procedimentos de compliance. A preocupação envolve principalmente empresas que operam em dólar ou mantêm relações com instituições financeiras dos Estados Unidos.

O analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, afirmou: “Na prática, o que a medida faz é elevar a régua de risco para bancos, meios de pagamento, fintechs, seguradoras, empresas com relacionamento com o sistema financeiro em dólar e grupos que atuem em setores mais vulneráveis à infiltração do crime organizado”. Segundo ele, o governo brasileiro já demonstrava preocupação com possíveis reflexos sobre empresas que, mesmo indiretamente, mantivessem relação com estruturas ligadas às facções.

Felipe Sant’Anna, especialista da Axia Investing, afirmou que a decisão pode aumentar exigências de compliance e auditoria para empresas brasileiras. Ele declarou: “As empresas americanas podem ser mais cobradas pelo governo americano, no sentido de que se elas negociarem com alguém no Brasil que tenha algum vínculo com a organização criminosa, essas empresas seriam consideradas cúmplices”. Segundo fontes do Ministério Público de São Paulo, a medida também pode gerar impactos reputacionais e ampliar a cautela de instituições financeiras em novos negócios.