Decisões de Castro e Ratinho Jr. deixam PL em estado de alerta para eleições

Atualizado em 24 de março de 2026 às 11:32
Cláudio Castro e Ratinho Jr. Foto: reprodução

Movimentos opostos adotados pelos governadores Ratinho Júnior (PSD) e Cláudio Castro (PL) na segunda-feira (23) foram interpretados por bolsonaristas como tentativas de preservar capital político e garantir influência nas eleições futuras, podendo prejudicar o partido nas próximas eleições.

Enquanto o paranaense recuou da pré-candidatura à Presidência para permanecer no cargo e fortalecer sua base, o fluminense optou por renunciar ao governo às vésperas de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível, tirando do PL a influência do cargo durante as eleições.

No Paraná, a decisão de Ratinho foi influenciada pela articulação do PL para fortalecer sua presença no estado, especialmente com a filiação do senador Sergio Moro, que deve disputar o governo.

Segundo o Estadão, interlocutores apontam que o movimento do partido busca garantir um palanque competitivo para Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. O senador Rogério Marinho chegou a pedir apoio de Ratinho ao projeto, o que implicaria abrir mão da disputa nacional.

Sem acordo, o PL avançou com Moro, cuja força eleitoral, somada ao bolsonarismo, é vista como capaz de ameaçar o domínio político de Ratinho no estado. Ao permanecer no cargo, o governador mantém controle da máquina pública e pode direcionar esforços para eleger um sucessor, como o secretário Guto Silva (PSD) ou o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).

Valdemar Costa Neto, Flávio Bolsonaro e Sergio Moro. Foto: reprodução

Uma liderança do PL avalia que Ratinho cometeu um “erro primário” ao subestimar o partido. Segundo essa leitura, o governador acreditou que os bolsonaristas recuariam na aliança com Moro, o que não ocorreu. Ainda assim, a permanência no cargo também projeta efeitos nacionais, ao abrir espaço para que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, avance como nome do PSD na disputa presidencial.

Já no Rio de Janeiro, Cláudio Castro adotou estratégia oposta. A renúncia ao governo ocorre em meio à expectativa de julgamento no TSE, que já tem placar de 2 a 0 pela condenação por abuso de poder político e econômico. A decisão também está ligada à tentativa de reverter mudanças determinadas pelo ministro do STF Luiz Fux nas regras da eleição indireta para o governo estadual.

As alterações prejudicam o grupo político de Castro, especialmente ao exigir desincompatibilização com antecedência de 180 dias, inviabilizando a candidatura do secretário Douglas Ruas ao mandato-tampão. Aliados acreditam que, caso a decisão seja revertida, a estratégia pode beneficiar o grupo na disputa futura.

Nos bastidores, porém, há críticas à renúncia. Um aliado afirma que, “com Castro renunciando, ele fica inelegível e deixa o Estado na mão do Judiciário, não adianta nada”, acrescentando que, “ficando na cadeira, Castro ajudaria o partido, porque conseguiria fazer uma campanha para o Douglas melhor do que o TJ assumindo o Estado”.

Com a saída, o governo fluminense passa a ser comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro. O cenário reforça a instabilidade política no estado e amplia a incerteza sobre os desdobramentos eleitorais.

No TSE, o clima é descrito como de “game over” por um ministro, indicando alta probabilidade de condenação. O julgamento será retomado nesta terça-feira, consolidando um momento decisivo tanto para Castro quanto para os rearranjos políticos no campo da direita.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.