
A defesa da policial militar Yasmin Cursino Ferreira afirmou nesta sexta-feira (10) que a soldado “agiu dentro da lei” na ocorrência que terminou com a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. Segundo o advogado Alexandre de Souza Guerreiro, a agente efetuou “um único disparo” e pediu socorro logo depois do tiro. A manifestação é a primeira da defesa desde a repercussão do caso.
A versão apresentada pela defesa contrasta com o relato do marido da vítima, Luciano Gonçalves Santos, ouvido na sede do Departamento de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP). Ele disse que Thawanna foi socorrida mais de 30 minutos após ser baleada no abdômen e negou que ela tenha tentado pegar a arma da policial. Testemunhas também foram ouvidas e, segundo o UOL, afirmaram ter visto agressões físicas durante a discussão antes do disparo.
O caso é investigado em ao menos duas frentes. A Polícia Civil apura a dinâmica da ocorrência por meio do DHPP, enquanto a Polícia Militar conduz um Inquérito Policial Militar. O Ministério Público de São Paulo também informou que vai acompanhar e investigar a morte por meio do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp). Os dois policiais envolvidos foram afastados do serviço operacional, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

Em seu depoimento, Yasmin afirmou que atirou depois de ser confrontada por Thawanna, que teria invadido seu espaço pessoal e desferido tapas. A soldado disse ainda que tentou afastar a mulher com empurrões e chutes antes do tiro. Já o boletim de ocorrência registrado após a ação menciona “crime de resistência” atribuído ao casal, embora a investigação da Polícia Civil trate a morte como decorrente de intervenção policial.
Outro ponto que passou a integrar o caso é o atendimento prestado após o disparo. Nesta sexta-feira (10) o Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte de Thawanna e que a demora dos primeiros socorros teria agravado a situação. O Corpo de Bombeiros informou que apura a demora no socorro.
A policial tem 21 anos, tomou posse em janeiro de 2025 e, segundo a reportagem, estava em estágio supervisionado, com cerca de três meses de atuação nas ruas. O UOL também informou que Yasmin não usava câmera corporal no momento da ocorrência. A SSP-SP declarou que as imagens anexadas aos inquéritos, além dos laudos e depoimentos, integram o conjunto de provas em análise.