
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou a defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro para que se manifeste sobre o vídeo que ele gravou durante a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos, e que teria sido enviado para seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As imagens foram anexadas ao processo no qual Eduardo responde por coação no curso do processo da trama golpista. A medida do magistrado foi tomada após a intimação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se manifeste sobre o conteúdo do vídeo.
O vídeo foi gravado no sábado (28) e, segundo o ex-deputado, foi enviado diretamente para o ex-presidente Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar. Ele está proibido de usar redes sociais por decisão do próprio ministro, devido à sua prisão temporária.
Em sua decisão, Moraes solicitou que as partes envolvidas no caso, incluindo a defesa do ex-presidente, se manifestem sobre o conteúdo do vídeo, alegando que a gravação pode ter implicações no andamento do processo. Eduardo, que é réu na ação, foi citado por edital após não apresentar defesa prévia no caso
O vídeo mostra o ex-deputado durante o evento nos Estados Unidos, afirmando que enviaria o material ao pai, o ex-presidente. “Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro. Muito obrigado”, disse Eduardo.
URGENTE: o Eduardo Bolsonaro acabou de confessar durante o CPAC que estava GRAVANDO O VÍDEO E MOSTRANDO PARA O PAI, o que viola as medidas cautelares. O Alexandre de Moraes avisou que o Bolsonaro voltaria pra cadeia se fizesse isso. Este vídeo precisa chegar no Xandão. pic.twitter.com/zD8dGG2C2H
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) March 29, 2026
Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, no âmbito da trama golpista que envolveu a tentativa de subversão da ordem constitucional. A defesa dele, por sua vez, afirmou que não foi descumprida nenhuma das medidas cautelares impostas pela Justiça.
Os advogados destacaram que o ex-presidente só teve conhecimento do vídeo após a intimação para se manifestar no processo. Em sua defesa, os advogados argumentaram que o vídeo gravado por Eduardo durante o evento no exterior não teve qualquer participação do ex-presidente e que o conteúdo não constitui uma violação das regras da prisão domiciliar.